Resumo |
A Universidade Federal de Viçosa completou, no ano de 2022, noventa e seis anos de existência. Os registros dessa trajetória se apresentam como produções bibliográficas memorialistas e acadêmicas, que narram os meandros de sua história e promovem a difusão das narrativas institucionais. Desta feita, a presente pesquisa de mestrado, investigou, no enredo histórico institucional, os registros das memórias dos operários, trabalhadores da construção e manutenção da UFV, durante o período de 1922 a 1969. A investigação analisou a forma de abordagem desses personagens no quadro de memória oficial da Universidade, problematizando a ausência dessa parte da comunidade acadêmica nas ações de promoção da memória institucional. A partir de instrumentos metodológicos centrados na história oral e pesquisa documental, fundamentamos nossa análise das entrevistas com ex-operários e ou seus descendentes. Foram considerados ainda a versão de gestores institucionais ligados à memória, bem como lideranças político-sindicais do grupamento analisado. Sendo assim, a partir da história de vida desses trabalhadores, narradas por eles próprios ou seus descendentes, subsidiadas pela documentação histórica e análise bibliográfica,encontramos informações sobre a relação de trabalho e seus modos de vida. Identificamos características das políticas internas para o grupo, ações de controle moral e ideológico do operário e seus familiares, dentro e fora do canteiro de obras. Constatamos, ainda, práticas subliminares de disciplinamento, como o apadrinhamento, espécie de política de favorecimento individual, o que gerava conformismo e submissão, além do detrimento do coletivo dos que não se enquadravam em tais práticas provincianas de poder. Dentre os motivos para omissão de memórias operárias, identificamos que esses resquícios de práticas colonialistas, aplicadas ideologicamente ao grupo social analisado, estimulava o conformismo, sendo forte instrumento de segregação social e racial. Apuramos, ainda, que o acesso tardio do grupo à educação formal, o desfavorecimento das condições sócio-econômicas e a submissão ideológica dificultaram a reflexão sobre a própria condição, o que foi alterado somente a partir da organização política do grupo, em organizações coletivas, quando houve ascensão interna, conferindo algum protagonismo do grupo no arranjo político institucional. Concluímos, por fim, que a presença e atuação desses personagens foram percebidas em vestígios físicos ou imateriais no enredo pesquisado, onde propomos, a partir dos resultados da pesquisa e do produto, uma exposição fotográfica sobre o protagonismo do grupo, garantir o registro e a difusão das narrativas, promovendo a insurgência de memórias e valorizando a diversidade dos grupos que compõem a memória coletiva da comunidade universitária, valorizando, assim, a participação desses grupos, socialmente marginalizados. |