Resumo |
Historicamente, sabemos que a chegada dos portugueses ao Brasil (Pindorama) em 1500 trouxe consigo diversos elementos que moldaram a realidade do país. Além das doenças e da exploração de recursos naturais, as navegações europeias introduziram costumes socioculturais que se tornaram normatizados na sociedade contemporânea. Um desses costumes é o patriarcado, caracterizado pela predominância do poder masculino na sociedade e na esfera doméstica, o qual contribui significativamente para a perpetuação da violência de gênero e doméstica, bem como para a visão de inferioridade atribuída à mulher. Em 2022, o Brasil registrou um recorde de feminicídios, demonstrando estatisticamente que a cada 6 horas uma mulher foi vítima de assassinato no país, tendo entre estas porcentagens, maiores predominâncias entre as mulheres negras e/ou pardas que representavam a maioria das vítimas, totalizando 66% dos casos em 2020. É nessa conjuntura que o racismo ganha força, uma vez que mulheres negras ou pardas (na qual dentro deste grupo encontram-se os povos indígenas, que sofrem dentro desta categorização racial um processo de apagamento sociocultural e histórico) quando se tornam vítimas de violência, não se tornam notícia, sendo relegadas apenas à condição de estatísticas. Tais casos não geram comoção na grande mídia, sendo noticiados apenas quando as vítimas são retratadas como réus. Refletindo sobre estes dados estatísticos, o Programa de Extensão Casa das Mulheres, por meio do eixo formação, propõe a realização da oficina de “Raça e etnia” em escolas municipais e estaduais e comunidades do município de Viçosa - MG com o objetivo de fomentar temas que transpassam o racismo e que são poucos discutidos, como a gordofobia, ou seja, o olhar do corpo pelo padrão e pelo exótico; a visão que a mídia tem sobre o povo preto e povos indígenas, assim como os estereótipos que ambos carregam. Em todos os espaços que a oficina foi ministrada, os participantes puderam refletir sobre os fatos, entender a necessidade de se combater o racismo e de dar voz e escuta aos que foram e continuam sendo marginalizados e invisibilizados pela história. Diante do êxito das 8 (oito) oficinas concluídas nos espaços citados, o programa pretende realizar um minicurso com esta temática no SIA 2023, ampliando assim, a discussão dentro e fora do espaço acadêmico. É fundamental que a discussão sobre o racismo se torne cotidiana, de modo que possamos reconhecer qualquer ato discriminatório e nos tornar, nas palavras de Angela Davis, "não apenas não racistas, mas antirracistas" em uma sociedade racista. |