Resumo |
Com a pandemia, novas atribuições e demandas foram impostas aos estudantes universitários, como a suspensão das aulas, o isolamento social, a piora da situação socioeconômica, o adiamento da formatura, entre outros planos/projetos. Diante disso, a referida pesquisa teve como pressuposto analisar os desafios impostos e as estratégias adotadas por estudantes das moradias estudantis da Universidade Federal de Viçosa que permaneceram na cidade de Viçosa durante o ápice da pandemia da COVID-19, de março de 2020 a dezembro de 2021. Buscou-se refletir acerca das vivências desses estudantes, assim como as razões pelas quais eles optaram por permanecer na cidade em que se localiza a instituição de ensino durante o período supracitado. Com o objetivo de entender as vivências desses universitários, foi aplicado um questionário para aferir a situação socioeconômica deles, bem como o porquê permaneceram e o tipo de moradia. Complementarmente, desenvolveu-se uma roda de conversa com esse público. Participaram do estudo 26 residentes das moradias estudantis, matriculados em cursos variados, com idades entre 20 e 39 anos. Os resultados indicam que os estudantes contornaram a insegurança em não ter para onde ir com o fechamento dos alojamentos, recorrendo às moradias temporárias, como repúblicas, residência dos amigos, parentes, família (construídos no decorrer da pandemia), ao quartinho de igreja, do(a) namorado(a), hostel e em casa da zona rural de Viçosa. Do mesmo modo, superaram a dificuldade financeira e os desafios do ensino remoto, com o trabalho autônomo, auxílios da assistência estudantil, bolsas de estágio, adesão ao serviço/atendimento na divisão psicossocial e às redes de apoio estruturadas e acessadas, como os familiares, colegas, amigos, namorados(as) e grupos religiosos. Espera-se que os resultados alcançados possam favorecer a produção da literatura acerca das narrativas dos estudantes universitários residentes das moradias estudantis, além de ressaltar política e socialmente a relevância das assistências estudantis e das redes de apoio como elemento crucial para a permanência dos estudantes na instituição de ensino. |