| Resumo |
Introdução: A Inteligência Artificial (IA) tem ganhado destaque nos últimos anos, impactando diversos setores da sociedade, incluindo a educação, com destaque pelo seu potencial em personalizar o processo ensino-aprendizagem e ampliar a compreensão de conteúdos. No campo das Ciências da Saúde, o impacto da IA nas práticas discentes é um assunto pouco explorado, o que reforça a necessidade de estudos sobre o tema. Objetivo: Conhecer a facilidade, intenção de uso e legalidade das ferramentas de IA nas atividades acadêmicas de estudantes de Ciências da Saúde de uma universidade federal. Metodologia: estudo transversal realizado com 304 estudantes dos cursos de Educação Física, Enfermagem, Nutrição e Medicina de uma universidade pública federal do estado de Minas Gerais. Os dados apresentados integram uma pesquisa mais ampla sobre IA nas atividades acadêmicas. A coleta de dados ocorreu entre os meses de abril e maio de 2025, por meio da aplicação de questionários eletrônicos (Google Forms), contendo questões em escala do tipo Likert (1 a 5 pontos), analisadas por estatística descritiva. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, parecer nº 7.283.361. Resultados: os discentes afirmaram que várias vezes as ferramentas de IA foram úteis, reduziram erros e tempo, além de ter facilitado os estudos. A satisfação com a interface das ferramentas foi destacada de forma mais frequente pelos discentes de Enfermagem e Medicina (p=0,002). O receio em utilizar dados provenientes de IA foi mencionado em maior frequência pelos discentes de Medicina (p=0,001) e a preocupação com a privacidade e segurança dos dados pelos discentes de Enfermagem e Nutrição (p=0,003). Quanto à legalidade, vale ressaltar que apesar de os discentes referirem que nunca utilizam dados provenientes de IA como se fossem de própria autoria, a menção formal da utilização da IA nos trabalhos não é uma atitude rotineira, sendo citada poucas vezes (p=0,408). Os discentes dos cursos de medicina e nutrição foram os que menos consideram antiético o uso de IA em trabalhos acadêmicos, enquanto que a maioria dos estudantes dos outros cursos se mantiveram neutros em relação a esta afirmativa. Conclusões: a utilização de ferramentas de IA por estudantes de Ciências da Saúde é marcada por cautela, insegurança e preocupações éticas. Destaca-se uma atenção especial às questões relacionadas à segurança dos dados, o que evidencia a existência de barreiras culturais, morais e legais que dificultam a plena integração dessas tecnologias no ambiente acadêmico. Tais achados reforçam a necessidade de ações educativas e institucionais que promovam uma compreensão crítica, ética e legal do uso da IA, será possível fortalecer a autonomia digital e a confiança dos discentes, promovendo um uso mais consciente, responsável e produtivo das ferramentas de IA no contexto educacional, reduzindo o estigma associado ao seu uso e minimizando inseguranças relacionadas à privacidade dos dados. |