| Resumo |
A capacidade cognitiva é um dos determinantes da qualidade de vida durante o processo de envelhecimento, pois perdas nessas funções podem gerar prejuízos no funcionamento físico, social e emocional de idosos, implicando em diminuição da autonomia e independência, reduzindo a capacidade das realizações das Atividades da Vida Diária (AVDs). O Teste do Desenho do Relógio (TDR) é um instrumento utilizado na triagem de alterações cognitivas, por ser simples, rápido e sensível a déficits de funções executivas e visuoespaciais. Ele avalia a habilidade do indivíduo em planejar, organizar e executar tarefas com múltiplos componentes cognitivos, processos que são afetados pelo envelhecimento. Dessa forma, o objetivo deste estudo consistiu em avaliar a capacidade cognitiva de adultos em meia idade e idosos participantes do Projeto de Extensão Saúde e Vida, por meio da aplicação do TDR, utilizando a Escala de Sunderland (1989) como critério principal de análise. Participaram do estudo 38 indivíduos, com idades entre 40 a 87 anos. Eles foram orientados a desenharem um relógio marcando “duas e quarenta e cinco”. Os desenhos foram avaliados individualmente conforme a Escala de Sunderland, variando de 1 (desenho ausente ou irreconhecível) a 10 (desenho perfeito com ponteiros e números corretos). Além da pontuação, foram descritos qualitativamente aspectos como presença de todos os números, organização espacial, tipo e posicionamento dos ponteiros, formato do relógio, e possíveis erros conceituais ou gráficos. Os resultados indicam que a maior parte dos avaliados apresentou desempenho satisfatório. A pontuação 9 foi a mais frequente, observada em 47,4% dos participantes (n=18), sugerindo boa preservação das habilidades cognitivas envolvidas, como planejamento visuoespacial, compreensão da tarefa e memória de trabalho. Em seguida, a pontuação mais frequente foi 8, atribuída a 18,4% dos avaliados (n=7), também indicando desempenho positivo, mesmo com pequenos desvios na execução. As pontuações mais baixas (entre 1 e 4) apresentaram frequência reduzida, variando entre 2,6% e 5,3%, o que representa um número pequeno de participantes com possíveis déficits em funções cognitivas executivas. A pontuação 6 não foi registrada em nenhum dos casos avaliados. De modo geral, os dados demonstram que a maioria dos participantes obteve escores compatíveis com desempenho cognitivo preservado, conforme os critérios de avaliação do TDR. A predominância de pontuações altas sugere que, apesar do envelhecimento natural, os indivíduos avaliados mantêm um nível funcional adequado para o desempenho de suas atividades diárias, reforçando a importância de práticas de promoção da saúde, como aquelas oferecidas pelo Projeto Saúde e Vida, no estímulo à cognição e à autonomia ao longo do envelhecimento. Recomenda-se que avaliações periódicas continuem sendo realizadas, como forma de monitorar possíveis declínios e promover intervenções precoces, quando necessário. |