| Resumo |
O processamento de madeira para produção de carvão vegetal em retortas contínuas envolve etapas críticas, como o corte da madeira em toretes de menores comprimentos, que impactam diretamente a eficiência operacional e a qualidade do produto final. Este estudo investigou a influência do diâmetro e do comprimento de corte da madeira no tempo de processamento e a geração de resíduos (serragem), utilizando toras de Eucalyptus spp. com diâmetros médios de 10 cm e 14 cm, seccionadas em comprimentos de 10 cm, 25 cm, 50 cm e 1 m. O objetivo foi otimizar o processo de carbonização em retortas contínuas, reduzindo perdas de material e tempo operacional. Observou que os toretes de madeira de 1 m de comprimento proporcionaram ganhos expressivos de produtividade, reduzindo em 96% o tempo de processamento quando comparados a toretes de 10 cm, fenômeno este atribuído à diminuição no número de cortes necessários, que segue uma função inversamente proporcional ao comprimento do mesmo. As toras de madeira com maior diâmetro (14 cm) demonstraram superioridade operacional, sendo 15-25% mais eficientes que as de 10 cm de diametro para um mesmo comprimento de corte. O comprimento do torete também apresentou efeito significativo. Toretes de madeira de 10 cm demandaram tempos significativamente maiores (média de 54 segundos por tora) em comparação aos de 1 m (média de 2 segundos), independentemente do diâmetro da madeira. A análise da geração de resíduos, serragem, revelou expressiva variação entre as condições testadas, sendo que as toras de madeira de 10 cm produziram em média 5,4% de serragem em relação à massa inicial, contra apenas 0,3% para toretes de 1 m de comprimento, diferença associada ao aumento na área de corte por unidade de volume processado em configurações com menores comprimentos, devido ao maior número de cortes necessários. Do ponto de vista técnico-operacional, o comprimento do torete mostra-se como a variável mais impactante na eficiência global do processo, enquanto diâmetros maiores oferecem vantagens significativas, sendo que configurações com toretes inferiores a 25 cm de coprimento apresentam viabilidade operacional limitada, demandando estratégias específicas de reaproveitamento de resíduos, particularmente relevantes para processamentos com múltiplos cortes. Conclui-se que a otimização do processamento de madeira para carbonização deve priorizar toras de maior diâmetro (14 cm) seccionadas em comprimentos entre 50 cm e 1 m, em conjunto com sistemas eficientes de aproveitamento de serragem, recomendando-se estudos complementares para avaliação do efeito destes parâmetros nas propriedades físico-químicas do carvão produzido e na viabilidade econômica em diferentes escalas de produção industrial. |