| Resumo |
A amêndoa de pequi é rica em lipídios (~50%) e proteínas (~30%), o que a classifica como uma fonte vegetal de valor nutricional ainda pouco explorada. Assim, a produção de hidrolisados proteicos com propriedades nutracêuticas pode agregar valor à cadeia produtiva do pequi. O látex de aveloz é também uma fonte vegetal que contém proteases, ou seja, metabólitos com capacidade de catalisar a hidrólise proteica. No contexto de aproveitamento da flora brasileira, um hidrolisado proteico da amêndoa de pequi foi produzido na presente pesquisa utilizando enzimas proteolíticas do látex do aveloz. Para a obtenção do extrato proteico, as amêndoas foram moídas e desengorduradas por prensagem hidráulica, seguida de extração em aparelho de Soxhlet. O extrato foi obtido em duas etapas sucessivas: (i) extração alcalina da farinha desengordurada (pH 9,0) e (ii) precipitação isoelétrica (pH 4,5). Para obtenção do extrato enzimático clarificado, o látex de aveloz foi coletado de caules jovens e centrifugado a 20.000xg por 30 min. A hidrólise das proteínas do extrato proteico foi realizada utilizando dispersões a 0,2% (m/v) em tampão fosfato salino (pH 7,4), na proporção de 1:5 (enzima:substrato), com volume final de 1,5 mL. Após a hidrólise, a mistura foi incubada a 4 °C por 30 min com ácido tricloroacético a 20% para a inativação enzimática. Em seguida, a amostra foi centrifugada a 7.500xg por 15 min. O teor de proteínas no sobrenadante foi determinado pelo método de Bradford, e o grau de hidrólise (GH) foi utilizado para avaliar a extensão da hidrólise proteica. A obtenção do extrato proteico resultou em um concentrado com aproximadamente 77% (m/m) de proteínas, a partir de uma farinha desengordurada com 48% (m/m) de proteínas e 21% (m/m) de lipídios. Extratos mais concentrados podem ser alcançados por meio de farinhas com menor teor lipídico. A avaliação preliminar da atividade enzimática do látex de aveloz clarificado indicou a presença de proteases, com condições ótimas de atuação em pH 7,5, temperatura de 44 °C e tempo de reação de 150 min. Nessas condições, o grau de hidrólise foi de 1,2% para as proteínas do concentrado da amêndoa de pequi. A amêndoa de pequi demonstrou ser uma fonte promissora para a obtenção de extratos proteicos por precipitação isoelétrica. Por outro lado, as enzimas do látex de aveloz apresentaram baixa eficiência na hidrólise das proteínas da amêndoa do pequi. A utilização de extratos proteicos mais concentrados, assim como o uso de enzimas comerciais ou blends enzimáticos, pode melhorar a eficácia do processo e favorecer a liberação de peptídeos bioativos, contribuindo para maior biodisponibilidade, digestibilidade e propriedades nutracêuticas dos hidrolisados obtidos. |