| Resumo |
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), são as principais agências de fomento à pesquisa no Brasil e buscam, por meio de diversas ações e programas, impulsionar a área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) para fortalecer o desenvolvimento nacional e o reconhecimento da pesquisa brasileira pela comunidade científica internacional. A ampla inclusão de mulheres na ciência, assim como em outras esferas sociais, ainda encontra barreiras históricas, culturais e estruturais. Deste modo, embora sejam maioria na área de ciências humanas e sociais, em diferentes níveis, estão sub-representadas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) e em cargos de liderança. Neste contexto, a pesquisa tem como objetivo mapear e analisar iniciativas promovidas pelo CNPq e pela Capes voltadas à participação e permanência das mulheres na ciência brasileira. O estudo enfoca as políticas de equidade em programas de bolsas, auxílios e processos avaliativos, também na implementação de chamadas públicas exclusivas ou com cotas para pesquisadoras e ações de incentivo e valorização, como a concessão de prêmios. Para tanto, adotou-se uma abordagem qualitativa, com análise documental e bibliográfica, priorizando dados de fontes primárias, como documentos oficiais, relatórios institucionais e legislação. Os resultados parciais mostram que, embora as agências tenham avançado na criação de políticas para mulheres na ciência, tais iniciativas ainda não são suficientes para superar as barreiras estruturais presentes neste meio com predominância de valores androcêntricos. A análise interseccional revela que as atuais ações não contemplam adequadamente as múltiplas opressões enfrentadas por mulheres, mantendo sua sub-representação nas áreas de STEM e em cargos de liderança. Conclui-se que a superação das desigualdades de gênero na ciência brasileira exige uma ruptura com os paradigmas tradicionais, mediante a implementação de políticas que garantam representatividade efetiva nos processos decisórios e combatam as diversas formas de exclusão que afetam mulheres em sua pluralidade – medidas fundamentais para a construção de uma ciência mais justa e equitativa, na qual as mulheres sejam plenamente reconhecidas como agentes do desenvolvimento científico e tecnológico nacional. |