| Resumo |
Introdução: O envelhecimento é marcado por mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais que podem impactar diferentes aspectos da vida. Nesse contexto, embora não inerentes a esse processo, os distúrbios do sono, especialmente a insônia, são frequentes entre pessoas idosas e associam-se a maior morbimortalidade. Nesse contexto, a ingestão de nutrientes, sobretudo de proteínas, pode interferir na qualidade do sono. Assim, diante do envelhecimento populacional, urge identificar fatores nutricionais que afetam a qualidade do sono, visando a manutenção e a melhora da qualidade de vida da população idosa. Objetivo: Analisar a prevalência de insônia e sua associação com a ingestão proteica em idosos brasileiros. Metodologia: Estudo transversal com dados da onda 3 do ELSA-Brasil (2017-2019), que incluiu 4.853 indivíduos com idade ≥60 anos. A ingestão proteica foi obtida a partir do Questionário de Frequência de Consumo Alimentar. A insônia foi avaliada por autorrelato pelas perguntas: “Dificuldade para dormir nas últimas 30 noites?”, “Acordou e teve dificuldade para dormir nas últimas 30 noites?” e “Acordou antes da hora desejada e não dormiu mais nas últimas 30 noites?”. Participantes que responderam “sempre” e “quase sempre” para cada pergunta foram classificados com insônia inicial, intermediária e final, respectivamente. Ainda, considerou-se que os participantes que apresentaram ao menos um desses tipos de insônia possuíam insônia geral. A caracterização da amostra foi realizada pela distribuição de frequências e medidas de tendência central e dispersão e os dados de ingestão proteica foram ajustados pelo método residual para este fim. A ingestão foi considerada baixa quando <1,0 g/kg de peso corporal/dia. Para avaliar a associação entre a ingestão proteica e a insônia foi estimada a razão de prevalência pela regressão de Poisson com variância robusta. O modelo de regressão foi ajustado por variáveis de confusão selecionadas com base na literatura científica e incluíram sexo, idade, escolaridade, uso de psicotrópicos e ingestão calórica. Resultados: A maioria da amostra compreendeu indivíduos do sexo feminino (55,3%) com idade média de 67 (dp = 5,5) anos. A mediana (IIQ) de ingestão proteica foi de 1,6 (1,4-2,0) g/kg de peso corporal/dia, sendo a prevalência de baixa ingestão proteica de 4,2%. A prevalência de insônia foi de 27,3%. Foi observada uma associação inversa e significativa entre a ingestão proteica e a insônia, com redução da prevalência de insônia conforme o aumento da ingestão proteica, mesmo após o ajuste pelas possíveis variáveis de confusão (RP = 0,83; IC95% = 0,75-0,91). Conclusão: Evidenciou-se que o aumento da ingestão proteica se associou à redução de 17,0% na prevalência de insônia. Esses achados destacam o potencial da adequação da ingestão proteica na melhora da insônia. Estudos longitudinais são cruciais para confirmar os resultados e embasar condutas nutricionais para manejo da qualidade do sono em pessoas idosas. |