| Resumo |
As doenças cardiovasculares representam um desafio para a saúde pública mundial, estando fortemente associadas a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, hipertensão arterial e excesso de peso. A prática regular e supervisionada de exercícios físicos é uma estratégia eficaz de prevenção e tratamento não farmacológico desses agravos. O Programa de Atenção à Saúde Cardiovascular (PROCARDIO) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) objetiva contribuir para a prevenção e tratamento dos fatores de risco cardiovascular por meio da promoção da atividade física orientada, com foco na melhoria da saúde, aptidão física e qualidade de vida. O programa é voltado para estudantes, servidores e parentes de primeiro grau dos servidores. O início das atividades está condicionado à realização de uma avaliação física, envolvendo o Questionário de Prontidão para Atividade Física (PAR-Q), termo de consentimento livre e esclarecido, anamnese e atestado médico. Os treinos possuem a frequência de 2 ou 3 vezes por semana com duração de 50 minutos, e acontecem na Divisão de Saúde e no Departamento de Educação Física da UFV. A metodologia inclui treinamento multicomponente (TMC), com exercícios que desenvolvem as capacidades físicas: força, equilíbrio, resistência aeróbia e flexibilidade. O monitoramento da pressão arterial sistólica (PAS), da pressão arterial diastólica (PAD) e os resultados dos testes físicos de 10 participantes (9 mulheres e 1 homem, idade média de 54 ± 6 anos) foram utilizados para verificação dos efeitos do treinamento com duração de 6 meses, considerando critério mínimo de participação em 70% dos treinos. Foram medidos o peso corporal, flexibilidade da cadeia posterior do corpo (banco de Wells), força isométrica de membros superiores e da cadeia posterior do corpo (dinamômetro mecânico de tração vertical), força abdominal (número de repetições do abdominal supra em um minuto) e a força dinâmica de membros superiores (número de repetições de flexão de braços). Os dados foram analisados por teste T pareado para comparações antes e após o TMC. Não houve efeito do TMC sobre a PAS (antes: 123 ± 13 mmHg vs. depois: 117 ± 15 mmHg, p=0,165), PAD (antes: 72 ± 12 mmHg vs. 69 ± 11 mmHg), peso corporal (antes: 67,3 ± 11,7 kg vs. depois: 67,3 ± 10,4 kg, p = 0,922), força abdominal (antes: 38 ± 13 repetições vs. depois: 36 ± 12 repetições, p = 0,657) e na flexibilidade da cadeia posterior de corpo (antes: 31,9 ± 7,1 cm vs. depois: 30,9 ± 5,8 cm, p = 0,446). O TMC aumentou a força isométrica de membros superiores e da cadeia posterior do corpo (antes: 103 ± 29 kgf vs. depois: 120 ± 24 kgf, p = 0,006) e a força dinâmica de membros superiores (antes: 18 ± 5 repetições vs. 24 ± 7 repetições, p=0,03). Concluiu-se que o TMC aumentou a força isométrica de membros superiores/cadeia posterior do corpo e a força dinâmica dos membros superiores. Não alterou a PAS, PAD, peso, força abdominal e flexibilidade da cadeia posterior do corpo. |