| Resumo |
A crescente preocupação com os efeitos adversos dos pigmentos artificiais em relação à saúde tem impulsionado uma crescente demanda pela utilização de pigmentos naturais. Embora as fontes animais e vegetais sejam as mais conhecidas e estudadas, os microrganismos também apresentam elevado potencial para a produção de pigmentos naturais. Neste contexto, a produção de pigmentos naturais produzidos por fungos utilizando resíduos agroindustriais como substratos é uma alternativa biotecnológica sustentável aos pigmentos sintéticos. O objetivo desse trabalho foi avaliar o potencial de produção de pigmentos de Monascus ruber por fermentação no estado líquido utilizando diferentes resíduos agroindustriais. O isolado de Monascus ruber foi inoculado em meio sólido BDA (Batata Dextrose Ágar) durante 15 dias à 30°C. Após o crescimento do fungo, os esporos foram coletados e inoculados na concentração de 104 esporos/mL em frascos Erlenmeyer de 125 mL contendo 25 mL de meio líquido. Na sequência, os frascos foram mantidos em shaker à 30°C sob agitação de 125 rpm. Amostras foram coletadas a cada 4 dias para determinação da concentração de pigmentos em espectrofotômetro. A concentração dos pigmentos amarelo, laranja e vermelho foi determinada em 400 nm, 470 nm e 500 nm, respectivamente. Para a avaliação da estabilidade dos pigmentos, as amostras foram incubadas a 4°C e 25°C em pH 2,0 e 5,0 durante 24 dias. O bagaço de cana-de-açúcar foi o resíduo mais promissor para produção de pigmentos em relação aos resíduos farelo de arroz, casca de batata e farelo de trigo. A produção máxima dos pigmentos foi obtida em 16 dias de fermentação, onde a produção de pigmento amarelo foi aproximadamente 3 vezes maior em relação à produção dos pigmentos laranja e vermelho. Em relação à estabilidade, os pigmentos apresentaram maior estabilidade em pH 5,0 à 4 oC. Após um perído de 24 dias de incubação, os pigmentos amarelo, laranja e vermelho apresentaram redução da intensidade de cor em 6,4%, 7,1% e 5,6%, respectivamente. Esses resultados indicam um elevado potencial do fungo Monascus ruber cultivado em meio à base de bagaço de cana-de-açúcar para a produção sutentável de corantes naturais com potencial de uso nas áreas alimentícia, farmacêutica e de cosméticos. Além disso, a utilização de resíduos agroindustriais de forma adequada contribui para a redução de impactos ambientais. |