| Resumo |
INTRODUÇÃO: A obesidade é uma condição de etiologia multifatorial, resultante da interação entre determinantes socioeconômicos, psicossociais, biológicos e culturais. Nessa perspectiva, a qualidade de vida assume um papel central na formação do comportamento alimentar, visto que sua percepção influencia sobre as escolhas e os hábitos alimentares. Uma percepção negativa da própria qualidade de vida, envolvendo fatores como estresse, ansiedade, depressão e insatisfações, associam-se a comportamentos alimentares disfuncionais, como o comer emocional, o qual é caracterizado pela ingestão de alimentos em resposta a estados afetivos negativos e não à fome fisiológica, tornando-se mais recorrente em situações em que o bem-estar físico, emocional e social está comprometido. OBJETIVOS: Avaliar a associação dos domínios da qualidade de vida e os padrões de comportamento alimentar em mulheres com obesidade. MATERIAIS E MÉTODOS: Trata-se de um estudo transversal realizado com 111 mulheres adultas com obesidade (IMC ≥ 30kg/m²), parte integrante de um estudo randomizado, realizado em 2023. Foram utilizados os questionários validados: World Health Organization Quality of Life-bref (WHOQOL-bref) para avaliar a percepção de qualidade de vida nos domínios físico, psicológico, meio ambiente e nas relações sociais, e o Questionário Holandês de Comportamento Alimentar (QHCA), a fim de avaliar comportamentos de restrição alimentar, ingestão externa e ingestão emocional. Esses instrumentos de avaliação foram aplicados por pesquisadores capacitados durante as consultas de acompanhamento do projeto NutrirCom, realizadas ao longo do ano de 2023. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa (parecer nº 5.693.565/2022). As participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A normalidade das variáveis foi avaliada pelo teste de Shapiro-Wilk e a associação entre os domínios dos instrumentos pela correlação de Spearman, utilizando o software STATA, versão 19.0, adotando-se como nível de significância estatística α = 0,05. RESULTADOS: Foram observadas correlações significativas entre os domínios da qualidade de vida e os padrões de comportamento alimentar. O comportamento de ingestão emocional apresentou correlação negativa com os domínios psicológico (ρ = -0,2432; p = 0,0104) e meio ambiente da qualidade de vida (ρ = -0,2297; p = 0,0158). O comportamento de ingestão externa demonstrou associação negativa com os domínios físico (ρ = -0,2351; p = 0,0134) e psicológico (ρ = -0,2654; p = 0,0056). CONCLUSÃO: A pior percepção da qualidade de vida, sobretudo, nos domínios psicológico, físico e ambiental está associada à maior frequência de comportamentos alimentares disfuncionais, em especial o comer emocional e externo, em mulheres com obesidade. Portanto, evidencia-se a importância de abordagens integrais que considerem os aspectos subjetivos no cuidado à saúde de mulheres em situação de obesidade. |