Das Montanhas de Minas ao Oceano: Os Caminhos da Ciência para um Futuro Sustentável

20 a 25 de outubro de 2025

Trabalho 22542

ISSN 2237-9045
Instituição Universidade Federal de Viçosa
Nível Pós-graduação
Modalidade Pesquisa
Área de conhecimento Ciências Humanas e Sociais
Área temática Dimensões Sociais: ODS3
Setor Departamento de Serviço Social
Bolsa FAPEMIG
Conclusão de bolsa Não
Apoio financeiro FAPEMIG
Primeiro autor Isabella Moreira dos Reis
Orientador EVANDRO CAMARGOS TEIXEIRA
Outros membros MARCIA BARROSO FONTES
Título Mortalidade na Infância por Causas Evitáveis: Um Olhar sobre as Disparidades Raciais no Brasil em 2022
Resumo A mortalidade na infância é um indicador fundamental de saúde pública, pois revela as condições socioeconômicas da população, qualidade e equidade do sistema de saúde. No Brasil, um país historicamente marcado por profundas desigualdades socioeconômicas e raciais, essas diferenças influenciam consideravelmente a taxa e a magnitude da mortalidade na infância, sobretudo por causas evitáveis, óbitos preveníveis total ou parcialmente, por ações efetivas e acessíveis dos serviços de saúde. Assim, o objetivo desse estudo é analisar as taxas de mortalidade na infância por causas evitáveis no ano de 2022 sob a ótica da raça/cor. Para tal, adotou-se uma abordagem quantitativa, descritiva e analítica, utilizando dados secundários com delineamento transversal extraídos do Open DataSUS. As taxas de mortalidade na infância (0 a 4 anos) foram definidas como a principal unidade de análise, sendo utilizada segmentação "negros" (pretos + pardos) e "não negros" (brancos, amarelos e indígenas), a exemplo da abordagem utilizada em estudos sobre desigualdade racial realizados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa divisão permite evidenciar disparidades socioeconômicas, além de considerar possíveis distorções nos dados, derivadas do processo de autodeclaração racial e das declarações de óbito, influenciadas pelo racismo estrutural e pelo mito da democracia racial. Os principais resultados apontaram que as crianças pretas e pardas concentraram cerca de 55% dos óbitos evitáveis, enquanto crianças brancas, amarelas e indígenas representaram aproximadamente 39%, e 6% tiveram sua raça/cor ignorada. Destacam-se como principais causas evitáveis: óbitos reduzíveis por ações de imunização (65% negros), por atenção à mulher na gestação (57% negros), por adequada atenção no parto (56% negros) e ao recém-nascido (56% negros). As desigualdades são mais acentuadas nas causas relacionadas ao ciclo gravídico-puerperal, evidenciando vulnerabilidades associadas à violência obstétrica e à ineficiência no cuidado perinatal. Assim, conclui-se que embora políticas como a Atenção Primária à Saúde (APS) e a Estratégia Saúde da Família (ESF) tenham contribuído para a redução de algumas causas, persistem desigualdades raciais significativas, reforçadas pelo racismo estrutural e por condições socioeconômicas desfavoráveis. Isso denota a importância da adoção de medidas específicas que promovam a equidade racial nas políticas de saúde infantil, garantindo equidade em oportunidades de sobrevivência e desenvolvimento saudável.
Palavras-chave causas evitáveis, desigualdade racial, mortalidade na infância.
Forma de apresentação..... Painel
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