| Resumo |
A utilização de plantas consideradas afrodisíacas vem crescendo muito nos últimos anos e desperta a necessidade de pesquisas científicas que comprovem a sua eficácia e segurança toxicológica. Estratégias etológicas têm orientado essa busca, como a observação do consumo de Psychotria vellosiana pelo primata Muriqui-do-Norte (Brachyteles hypoxanthus) no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro-MG. Espécies do gênero Psychotria são conhecidas pela produção de alcaloides com diversas atividades biológicas (analgésica, citotóxica, anti-inflamatória e antimicrobiana). No entanto, os efeitos dessa planta sobre a morfologia testicular ainda não foram investigados. Neste contexto, objetivou-se avaliar os efeitos dos extratos diclorometânico e etanólico de folhas de P. vellosiana sobre o compartimento tubular dos testículos de ratos Wistar adultos. O experimento foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA) do Departamento de Veterinária da UFV (protocolo 53/2009). Foram utilizados 45 animais distribuídos em nove grupos experimentais: o grupo controle (G1) recebeu dimetilsulfóxido e os grupos tratados receberam extrato diclorometânico (G2, G3, G4, G5) e extrato etanólico (G6, G7, G8 e G9) de P. vellosiana, respectivamente, nas doses de 100, 200, 300 e 400 mg/Kg por gavagem durante 28 dias. Após eutanásia, fragmentos testiculares foram processados para o estudo em microscopia de luz e analisados no software Image-Pro Plus. Foram avaliados os pesos corporal e testicular, índice gonadossomático (IGS), a proporção volumétrica ocupada pelos túbulos seminíferos e intertúbulo, o diâmetro dos túbulos seminíferos, a altura do epitélio seminífero, o diâmetro do lúmen tubular, o índice tubulossomático, o comprimento total dos túbulos seminíferos e o comprimento dos túbulos seminíferos por grama de testículo. Para a comparação das médias foi utilizado o teste de Student Newman-Keuls (p≤0,05). Não foram observadas variações significativas entre os grupos controle e tratados quanto ao peso corporal e testicular, peso do parênquima testicular, peso da albugínea, assim como, para o IGS. A altura do epitélio seminífero foi maior em todos os grupos tratados, enquanto o lúmen tubular diminuiu após o tratamento, exceto no grupo 2. Os demais parâmetros morfométricos não sofreram alterações. Conclui-se que os extratos diclorometânico e etanólico de P. vellosiana influenciaram positivamente o compartimento tubular testicular, promovendo aumento significativo na altura do epitélio seminífero, sem afetar o peso corporal, testicular ou demais parâmetros morfométricos avaliados. Esses resultados indicam um potencial efeito estimulante sobre a espermatogênese, reforçando a importância de novos estudos para esclarecer suas implicações na fertilidade e sua viabilidade terapêutica na medicina reprodutiva. |