| Resumo |
Introdução: O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde) é uma iniciativa vinculada ao Programa Nacional de Equidade de Gênero, Raça e Valorização das Trabalhadoras no SUS. Na Universidade Federal de Viçosa, o projeto tem como foco a valorização de trabalhadoras e futuras trabalhadoras do SUS e como público alvo as trabalhadoras da atenção primária à saúde (APS) de Viçosa-MG. Organizado em cinco grupos interprofissionais, o Grupo 4 atua com ênfase em saúde mental e violências no ambiente laboral. Uma das estratégias adotadas para diagnóstico sobre as compreensões sobre violência e saúde mental entre trabalhadoras da APS adotadas pelo Grupo 4, foi a realização de caminhadas transversais com Agentes Comunitárias de Saúde (ACS). Trata-se de uma metodologia baseada na convivência e escuta em seus territórios de atuação, promovendo vínculos horizontais e permitindo que suas vivências e desafios sejam expressos de forma livre e acolhida. Objetivo: Relatar a experiência de realização de caminhadas transversais com ACS, conduzidas pelo Grupo 4 do PET-Saúde Equidade UFV, evidenciando seu potencial como ferramenta de construção de vínculo e escuta. Descrição das atividades: Previamente às caminhadas, foi elaborado um roteiro semi-estruturado contendo perguntas que abordaram, desde aspectos de ordem pessoal para aproximação inicial, até temas mais sensíveis, como saúde mental e violências no trabalho. As caminhadas ocorreram em três Unidades Básicas de Saúde do município, possibilitando a vivência direta nos territórios das trabalhadoras. Resultados alcançados: Durante os encontros, observou-se uma abertura crescente das agentes, as quais compartilharam histórias, relatos, desafios e sentimentos, além de estratégias de enfrentamento às diversas expressões da violência, quanto aos problemas de saúde mental. A vivência extrapolou a coleta de dados e se configurou como espaço potente de troca, cuidado e reconhecimento. O principal resultado foi o fortalecimento do vínculo com as ACS, favorecido pela abordagem territorial, horizontal e respeitosa. Relatos sobre vivências de violência, sobrecarga tanto do trabalho produtivo quanto de cuidado, adoecimento psíquico, e também sobre estratégias de enfrentamento e solidariedade entre pares, emergiram espontaneamente. A escuta qualificada ampliou a percepção das estudantes sobre o cotidiano dessas profissionais e promoveu a valorização de seus saberes e experiências. Considerações finais: A caminhada transversal demonstrou-se como uma metodologia potente não apenas para a coleta de informações, mas também para a construção de laços e fortalecimento do cuidado. O território, enquanto espaço vivo e dinâmico, favoreceu a escuta sensível e construção de trocas significativas. Por fim, essa experiência aponta para a importância de práticas formativas que promovam a escuta ativa, a empatia e o reconhecimento da complexidade do trabalho em saúde. |