| Resumo |
O uso do termômetro infravermelho tem se destacado como uma ferramenta útil para monitoramento da temperatura corporal em animais, especialmente em espécies sensíveis a variações climáticas, como os asininos. Apesar de sua rusticidade, esses animais demonstram maior sensibilidade ao frio, o que justifica a aplicação de métodos eficientes para avaliação térmica. A temperatura corporal é um parâmetro fisiológico essencial na análise clínica, sendo utilizada para avaliar o estado de saúde e o bem-estar dos animais. O presente estudo teve como objetivo analisar a variação térmica em diferentes regiões zootécnicas de jumentas ao longo do dia, buscando identificar padrões e avaliar a confiabilidade da termografia como método de mensuração. Foram utilizadas onze fêmeas adultas da raça Pêga, com média de sete anos de idade e pelagem “pêlo de rato”, pertencentes à Unidade de Ensino, Pesquisa e Extensão em Equideocultura. As avaliações foram realizadas cinco vezes ao longo do dia, nos horários de 7h, 9h, 12h, 15h e 18h, sempre pela mesma pessoa e na mesma posição em relação ao sol, a fim de reduzir variações externas. A medição foi feita utilizando um termômetro infravermelho da marca Multilaser®, posicionada a cerca de 20 cm da superfície corporal dos animais. As regiões avaliadas foram: cabeça, pescoço, costado, garupa, perna, antebraço, canela anterior, canela posterior, casco anterior e casco posterior, sempre na mesma sequência. As análises revelaram que não houve diferença significativa entre as regiões da cabeça (26,4 °C), pescoço (26,9 °C), costado (26,7 °C) e garupa (26,1 °C). As regiões da perna e antebraço apresentaram temperaturas ligeiramente inferiores (25,5 °C e 24,2 °C, respectivamente). Nos membros distais, observou-se uma redução mais acentuada, com médias de 23,1 °C (canela posterior), 22,8 °C (casco posterior), 23,2 °C (canela anterior) e 22,9 °C (casco anterior). As médias foram comparadas por meio do teste t de Student e correlacionadas pelo teste de Pearson, utilizando o pacote ExpDes do software R, sendo consideradas diferenças estatísticas quando p < 0,05. Os resultados evidenciam uma tendência de redução da temperatura no sentido dorso-ventro-distal, provavelmente associada à maior cobertura muscular, vascularização e incidência solar nas regiões dorsais, enquanto os membros, por apresentarem maior proporção de tecido ósseo, menor irrigação sanguínea e menor exposição ao sol, tendem a registrar temperaturas mais baixas. Conclui-se que a temperatura cutânea varia entre as diferentes regiões zootécnicas dos asininos e que o uso do termômetro infravermelho é uma ferramenta eficaz para mensuração térmica corporal, podendo ser utilizada no monitoramento do bem-estar animal e na identificação precoce de alterações inflamatórias superficiais. |