| Resumo |
A temperatura corporal superficial é um importante indicador fisiológico do bem-estar e da saúde dos equinos, sendo influenciada por fatores ambientais e pela coloração da pelagem. A pelagem interfere na absorção e dissipação da radiação solar, afetando a termorregulação e o conforto térmico dos animais. Assim, compreender essa influência em diferentes regiões corporais é essencial para aprimorar o manejo, especialmente em ambientes desafiadores. O presente estudo teve como objetivo avaliar a influência da pelagem sobre a temperatura superficial em diversas regiões zootécnicas de equinos adultos, utilizando a termometria infravermelha como método não invasivo e eficiente de mensuração. Foram utilizados 20 equinos adultos, distribuídos em 4 grupos de pelagem, com 5 animais em cada grupo: alazã, castanha, preta e tordilha. As regiões avaliadas seguiram uma sequência padronizada: cabeça, pescoço, costado, garupa, perna, antebraço, canela anterior, canela posterior, casco anterior e casco posterior. A coleta dos dados térmicos foi realizada utilizando um termômetro infravermelho da marca Multilaser®, garantindo a padronização das condições de medição. Todas aferições foram feitas pela mesma pessoa e do mesmo lado do animal, além de serem mantidas as mesmas condições ambientais e de posicionamento durante as avaliações. As temperaturas médias registradas apresentaram pequenas variações entre os grupos, com médias de 24,91 °C para a pelagem alazã, 24,56 °C para castanha, 25,38 °C para preta e 24,92 °C para tordilha. Essas diferenças refletem o efeito da coloração da pelagem na absorção da radiação solar e na capacidade de dissipação do calor, considerando também a influência da vascularização e da composição tecidual das regiões zootécnicas avaliadas. As análises estatísticas foram conduzidas por meio do teste t de Student para comparação das médias, e as correlações entre a pelagem e a temperatura foram avaliadas pelo teste de Pearson, utilizando o pacote ExpDes do software R, adotando-se nível de significância de p < 0,05. Os resultados indicam que, apesar das variações serem discretas, a pelagem exerce influência significativa sobre a temperatura corporal superficial, principalmente em regiões com menor vascularização e maior exposição solar. Além disso, essas diferenças térmicas podem impactar diretamente no conforto e no desempenho dos animais, ressaltando a importância da consideração da pelagem no manejo térmico e na prevenção de estresse térmico. Conclui-se que a termometria infravermelha é uma ferramenta eficaz para detectar variações regionais de temperatura superficial em equinos, possibilitando a avaliação da influência da pelagem na termorregulação. Esse método contribui para a tomada de decisões no manejo direcionado ao bem-estar animal, podendo também auxiliar na detecção precoce de alterações fisiológicas relacionadas ao estresse térmico, no direcionamento de acasalamento e até critérios de seleção de pelagens em função do ambiente. |