| Resumo |
A temperatura corporal é um parâmetro fisiológico fundamental na avaliação da saúde e do bem-estar animal, sendo especialmente relevante em muares, que desempenham papel importante em atividades de montaria e modalidades equestres. Tradicionalmente, a temperatura retal é considerada o método padrão-ouro para a aferição da temperatura corporal central. No entanto, técnicas menos invasivas, como a termometria infravermelha, têm sido amplamente estudadas por sua praticidade e aplicabilidade no monitoramento superficial de diferentes regiões do corpo. A comparação entre a temperatura retal e as temperaturas superficiais permite avaliar a confiabilidade dos métodos infravermelhos e sua viabilidade no manejo clínico e zootécnico de forma complementar. O presente estudo teve como objetivo comparar as médias das temperaturas superficiais de diferentes regiões zootécnicas com a temperatura retal em muares da raça Pêga, visando avaliar a precisão e a aplicabilidade da termometria infravermelha. Foram utilizados cinco muares adultos, nos quais foram aferidas as temperaturas das seguintes regiões: cabeça (27,23 °C), pescoço (28,11 °C), costado (29,07 °C), garupa (28,68 °C), perna (26,32 °C), antebraço (23,27 °C), canela anterior (23,63 °C), canela posterior (24,64 °C), casco anterior (23,46 °C) e casco posterior (23,47 °C). A média geral das temperaturas superficiais foi de 25,79 °C, enquanto a média da temperatura retal foi de 36,67 °C, indicando diferença significativa entre os valores. Todas as aferições foram realizadas pela mesma pessoa, no mesmo local e do mesmo lado do animal, utilizando termômetros infravermelhos e digitais da marca Multilaser®, garantindo padronização e minimizando variações operacionais. As médias das temperaturas foram comparadas pelo teste t de Student e as correlações avaliadas pelo teste de Pearson, ambos com auxílio do pacote ExpDes no software R, sendo adotado nível de significância de p < 0,05. Os resultados demonstraram que a temperatura retal permanece como método de referência por refletir de forma mais precisa a temperatura corporal central, sendo indispensável em avaliações clínicas. No entanto, a termometria infravermelha mostrou-se uma ferramenta útil e eficiente para a detecção de variações térmicas regionais e pode ser utilizada como método complementar no monitoramento fisiológico, permitindo avaliações rápidas e não invasivas que contribuem para a tomada de decisões no manejo e no bem-estar de muares. |