| Resumo |
A determinação precisa da idade gestacional (IG) é fundamental para o adequado manejo reprodutivo e acompanhamento do desenvolvimento fetal em éguas. A ultrassonografia transretal tem se consolidado como um método seguro e não invasivo na avaliação da biometria fetal, com destaque para estruturas como a órbita ocular. Este estudo teve como objetivo estimar a idade gestacional de éguas da raça Bretão por meio da mensuração da órbita ocular fetal e compará-la com os registros reais da escrituração zootécnica. Foram utilizadas 12 éguas gestantes pertencentes à Unidade de Ensino, Pesquisa e Extensão em Equideocultura do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa. As avaliações foram realizadas por via transretal com auxílio de aparelho de ultrassonografia Aloka®, utilizando transdutor linear de 7,5 MHz. As medições da órbita ocular fetal foram realizadas por um único operador para minimizar o viés. Os diâmetros obtidos foram: 1,95; 2,60; 2,70; 2,82; 2,85; 2,89; 2,98; 3,00; 3,00; 3,04; 3,20 e 3,40 cm, convertidos para milímetros (19,5 a 34 mm). Com base na fórmula proposta por Ginther (1992), Y = 0,77 + 0,14X, a qual Y representa o comprimento da órbita ocular fetal em milímetros e X representa o tempo gestacional em dias. Os valores estimados de IG variaram de 134 a 237 dias, demonstrando uma tendência linear de crescimento fetal. As médias foram comparadas por meio do teste t de Student e correlacionadas pelo teste de Pearson, utilizando o pacote ExpDes do software R, sendo consideradas diferenças estatísticas quando p < 0,05. Quando comparados com os dados reais da escrituração zootécnica, que apontavam idades gestacionais variando entre 180 e 278 dias, observou-se que os valores calculados pela fórmula de Ginther ficaram abaixo dos valores reais em algumas éguas, especialmente nas mais avançadas. Essa diferença pode estar relacionada à variação individual entre animais, diferenças raciais (considerando que a fórmula foi desenvolvida com base em outras raças) ou à limitação do modelo em estágios gestacionais mais avançados, nos quais o crescimento deixa de seguir estritamente uma progressão linear. Ainda assim, a correlação geral entre os dados estimados e os reais foi satisfatória, demonstrando o potencial da biometria da órbita ocular como ferramenta complementar no acompanhamento gestacional. Conclui-se que a avaliação da órbita ocular fetal por ultrassonografia transretal, associada a modelos matemáticos como o de Ginther, constitui um método prático para a estimativa da idade gestacional em éguas, embora ajustes específicos possam ser necessários para raças pesadas como o Bretão. Estudos adicionais com maior amostragem e validação direta das fórmulas são recomendados para aprimorar a acurácia do método. |