| Resumo |
A termografia é uma ferramenta não invasiva que permite avaliar a temperatura superficial de animais, sendo útil para o monitoramento fisiológico e diagnóstico precoce de alterações térmicas. Em equinos, a análise da temperatura corporal por meio de imagens térmicas pode ser influenciada por fatores externos, como exercício físico, e internos, como a pelagem, que interfere na absorção e dissipação de calor. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a variação da temperatura dorsal de equinos antes e após o exercício físico, considerando a influência de diferentes pelagens. Foram utilizados 14 equinos adultos da raça Mangalarga Marchador, com idade média de 9 anos e pelagens variadas: tordilha, alazã, preta, pampa e castanha. A temperatura dorsal foi registrada por meio de uma câmera termográfica da marca Flir®, posicionada no antímero esquerdo dos animais, antes e após a realização de uma sessão de exercício padronizado com duração de dez minutos. Para garantir uniformidade, a mesma pessoa montou todos os animais, utilizando o mesmo conjunto de equipamentos: manta, sela, cabeçada, perneira, espora e tala. O protocolo consistiu em uma volta a passo seguida de trabalho na marcha, alternando o sentido aos cinco minutos. As imagens térmicas foram capturadas pela mesma pessoa, no mesmo local, com o intuito de minimizar a subjetividade nas medições. Os resultados mostraram variações de temperatura dorsal, em graus Celsius, conforme a pelagem: tordilha (8,85 °C), pampa (6,63 °C), alazã (8,9 °C), castanha (15,53 °C) e preta (8,13 °C). A variação média geral da temperatura entre os momentos pré e pós-exercício foi de 18%, porém essa variação diferiu significativamente entre os indivíduos de mesma pelagem. As maiores diferenças dentro de cada grupo de pelagem foram observadas nos animais tordilhos (44%) e pampa (39%), seguidos dos de pelagem preta (18%), castanha (6%) e alazã (0,5%). As médias foram comparadas utilizando o teste t de Student, e as correlações entre variáveis foram avaliadas pelo teste de Pearson, empregando o pacote estatístico ExpDes no software R, considerando-se significativas as diferenças com p < 0,05. Os resultados indicam que a variação da temperatura dorsal pode estar relacionada à pelagem dos equinos, influenciada pela absorção diferencial da radiação solar determinada pela cor dos pelos, pela densidade e distribuição de glândulas sudoríparas ou ainda pela eficiência individual na dissipação do calor. Conclui-se que a termografia é um método eficaz para aferição da temperatura corporal e permite identificar diferenças no padrão de troca de calor em equinos da raça Mangalarga Marchador em função da pelagem. |