| Resumo |
A manutenção e o incremento dos teores de carbono orgânico no solo são fundamentais para a melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Para recuperação de áreas degradadas, o aporte de carbono torna-se um indicador importante da recuperação da qualidade do solo. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar acúmulo de carbono em diferentes substratos derivados de estéril de mineração após de cultivo de Ceiba speciosa (Paineira). O experimento foi realizado em ambiente protegido (casa de vegetação), vinculado ao Laboratório de Restauração Florestal da Universidade Federal de Viçosa (LARF – UFV). As unidades experimentais consistiram em vasos com capacidade para 21 litros, nos quais foram cultivadas mudas de Ceiba speciosa durante 12 meses. Os substratos utilizados tiveram como origem o estéril de mineração da mina do Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho – MG. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado (DBC; n = 4), com quatro tratamentos: Argila (solo controle), Marrom, Cinza e Mistura. Os substratos Marrom e Cinza, associados ao litotipo filito da Formação Batatal (Grupo Caraça), referem-se a diferentes tipos de estéril de mineração, sendo que o tratamento Mistura corresponde à combinação dos estéreis Marrom e Cinza na proporção 1:1. A determinação do carbono nos substratos foi realizada pelo método de Walkley-Black, por oxidação úmida com dicromato de potássio. Os dados foram submetidos às pressuposições da estatística paramétrica, seguido de análise de variância (ANOVA) e comparação de médias pelo teste SNK, ambos ao nível de 5 % de probabilidade. Os resultados mostraram que, no início do experimento, os teores de carbono nos substratos Argila, Marrom, Cinza e Mistura eram, respectivamente, de 2,3; 0,0; 2,1 e 4,9 g kg-1. Após 12 meses de cultivo houve diferença significativa nos teores de carbono entre os substratos (p < 0,05). O substrato Cinza apresentou o maior valor (23,9 g kg-1), seguido pela Mistura (15,8 g kg-1), ambos estatisticamente distintos. Argila passou para 5,6 g kg-1 e Marrom para 5,9 g kg-1, mas não diferiram entre si, apresentando ainda os menores teores. Esses resultados indicam que o cultivo de Ceiba speciosa favoreceu o incremento do teor de carbono nos substratos utilizados. Desta forma, é possível concluir que o plantio dessa espécie representa uma alternativa promissora em projetos de restauração florestal, favorecendo o aumento do carbono de compostos orgânicos no solo. |