| Resumo |
O projeto ´Arte e Agroecologia: formação e multiplicação do Teatro do Oprimido`, é realizada por meio de cursos, oficinas, jogos teatrais e encenação de peças, com o objetivo de formar futuras educadoras-coringas, responsáveis por desenvolver este método teatral sistematizado por Augusto Boal. O projeto conta com a participação de estudantes de variados cursos da UFV e utiliza o Teatro do Oprimido como ferramenta de conscientização crítica e instrumento político voltado à transformação social vinculado à Agroecologia e seus saberes. O projeto cumpre seu objetivo principal de promover formação e multiplicação do Método do Teatro do Oprimido em articulação com a Agroecologia por meio dos objetivos específicos que são: 1. desenvolver cursos de formação sobre o Teatro do Oprimido; 2. realizar oficinas comunitárias de multiplicação do método teatral articulado à agroecologia; e 3. construir e apresentar peças de Teatro-Fórum seguidas por sessões de diálogo em comunidades do município. Dentre as principais ações deste projeto destaco a montagem da peça intitulada “Para que ajudar se posso atrapalhar?!”, apresentada na Troca de Saberes. A montagem das cenas teve como foco a temática da violência moral sofrida por uma caloura e retrata a falta de empatia e acolhimento estudantil no cotidiano da universidade. Seu enredo traz uma estudante feliz por ser a primeira da família a ingressar na universidade. As cenas se sucedem abordando diferentes formas de violência direcionadas à personagem, evidenciando as pressões simbólicas e emocionais enfrentadas pelos estudantes no início de sua trajetória acadêmica. Após enfrentar inúmeros infortúnios e humilhações, ela acaba desistindo do curso e voltando pra casa. A criação da peça foi de autoria coletiva. A escrita conjunta do texto baseou-se nas improvizações teatrais, depoimentos pessoais e reflexões do grupo. Quanto aos resultados, a montagem da peça envolveu estudantes de diferentes cursos num processo coletivo, respeitoso, empático e acolhedor. A dinamização dos jogos teatrais ocorreram de forma gradativa e crescente, culminando no escrita e apresentação da peça. Sua encenação promoveu o envolvimento da platéia com intervenção do público em cena, substituindo a personagem oprimida e propondo alternativas de ação. As reflexões geradas por este fórum de debates teatral foi deveras enriquecedor. Concluo que o projeto está sendo profundamente transformador, não apenas esinando uma ferramenta social e política, mas também em nível pessoal. Através de suas práticas, promove um olhar sensível e acolhedor, voltado para a compreensão das subjetividades individuais e das experiências que moldam os ambientes profissionais, acadêmicos e pessoais. Ao valorizar as vivências dos participantes, o Teatro do Oprimido possibilita o fortalecimento do pensamento crítico, da empatia e do engajamento coletivo, contribuindo para a construção de espaços mais humanos, conscientes e comprometidos com a transformação social. |