| Resumo |
Grande parte das propriedades rurais produtoras de leite de pequeno porte têm suas atividades conduzidas pela mão de obra familiar, sendo essa atividade a principal fonte de renda da família. A forma de trabalho da pecuária familiar pode ser mais rústica, sem muitos maquinários e mão de obra especializada para realização do trabalho. O produtor de menor porte, que tem menor produção de leite e menor renda, ao enfrentar dificuldades que atingem essa atividade, acabam vivenciando um impacto econômico maior quando comparados a produtores maiores, mais tecnificados e de maior produção de leite. A mastite é um problema comum à pecuária leiteira e têm grande impacto econômico e produtivo em uma propriedade, aumentando a Contagem de Células Somáticas (CCS) no leite e, consequentemente, alterando a composição e qualidade do produto. Isso leva a um aumento do descarte de leite, aumento no custo de produção pelo tratamento e o descarte de animais que não apresentam melhora. O objetivo do trabalho foi realizar uma visita técnica a uma propriedade de pecuária leiteira familiar em Paula Cândido – MG e buscar entender as dificuldades, problemas, gestão da atividade e origem da mastite (ambiental ou contagiosa) e sugerir melhorias para evitar a recorrência dessa doença que vinha provocando a queda da produção de leite. Durante a conversa com os proprietários foi relatado que as vacas com mastite estavam sendo tratadas por um longo período com diversas classes de antibióticos e mesmo assim a doença estava sendo recorrente. O leite das vacas doentes estava sendo descartado, impactando no lucro final da propriedade. O local não contava com maquinários para limpeza da pista de espera para a ordenha, que apresentava grande acúmulo de fezes e urina. A ordenha era do tipo balde ao pé e realizada por meio de ordenhadeira mecânica. Antes da ordenha, os tetos eram lavados com água corrente substituindo o pré-dipping e o pós-dipping era realizado normalmente. A pressão da bomba da ordenha estava abaixo do ideal, não permitindo a ordenha completa das vacas, sendo a ordenha finalizada com a mão. Após esse processo, as vacas retornavam à sala de espera, onde o cocho estava vazio. O proprietário enchia o cocho dessa sala somente após terminar a ordenha de todas as vacas. Após análise, constatou-se que a mastite era de origem ambiental e seria necessário mudanças no manejo da propriedade. Os produtores foram orientados a trocar a lavagem dos tetos pelo pré-dipping, fazer manutenção da bomba da ordenhadeira para evitar ordenha manual, limpar a pista de espera e colocar comida no cocho antes do início da ordenha e eles se mostraram dispostos a implementar essas mudanças. Conclui-se a importância de uma orientação técnica para pequenos produtores, uma vez que com orientação correta diminui-se a ocorrência de mastite nessas propriedades, menor custo de produção pelo impacto da doença no rebanho e maior valorização e remuneração pelo produto devido aumento da qualidade do leite. |