| Resumo |
Devido ao rompimento da barragem de rejeitos em Mariana-MG, ocorrido em novembro de 2015, a ictiofauna da Bacia do Rio Doce tem sido drasticamente afetada pela presença de metais pesados na água, intensificando a bioacumulação e comprometendo a saúde dos peixes e daqueles que os consomem. O objetivo deste estudo é avaliar os efeitos dos metais pesados nas brânquias da tilápia (Oreochromis niloticus) por meio de análises morfológicas macro e microscópicas. Os locais de coleta foram: o alto Rio Doce, em Santa Cruz do Escalvado- MG, afetado pelo rompimento da barragem (grupo TAF); no rio Piranga em Ponte Nova- MG, não afetado (grupo TNAF), como sítio de referência; e na UEPE Piscicultura da Universidade Federal de Viçosa, como grupo controle. Foram coletados 10 indivíduos em cada local, os quais foram imediatamente eutanasiados, medidos, pesados e dissecados para retirada e fixação dos órgãos, sendo as brânquias o foco deste estudo. Fragmentos branquiais foram processados para análises de quantificação de metais pesados, por meio de espectrofotometria de absorção atômica, e para análises histológicas, pela microscopia de luz. Até o momento, foram feitas análises macroscópicas (biometrias), avaliando-se as medidas de peso corporal (PC) e comprimento corporal total (CCT), para obtenção do fator de condição de Fulton (FC), calculado pela fórmula FC=PC/CCT3x100; assim como as medidas de comprimento corporal padrão (CCP) e o comprimento médio dos filamentos branquiais (CMFB), para obtenção do índice brânquio-somático (IBS), calculado pela fórmula IBS=CMFB/CCP. Os dados foram comparados estatisticamente com nível de significância de 5%. Quanto aos resultados, nas brânquias do grupo TAF foram encontrados metais pesados na seguinte ordem de concentração: Fe > Al > Zn > Mn > Cu > Cr > Ni > Pb > Cd > Co > Hg. Já no grupo TNAF foram encontrados nesta ordem: Al > Fe > Zn > Mn > Cu > Cr > Ni > Pb > Co > Cd > Hg. Houve diferença significativa, com maiores concentrações em TAF que em TNAF, para Fe, Al, Mn, Cr, Co e Hg. Em relação às biometrias, não houve diferença significativa entre os grupos para o fator de condição, que foi superior a 1 para ambos, indicando que a condição corporal das tilápias não difere entre o Rio Doce e o Rio Piranga. Já para o índice brânquio-somático, houve diferença entre o grupo controle e o grupo de tilápias da área afetada (TAF), com menor índice para TAF. Pode-se dizer que a alteração encontrada no tamanho dos filamentos branquiais provavelmente afeta o processo de trocas gasosas e a osmorregulação, comprometendo a homeostase. As próximas análises serão fundamentais para entendermos como está a saúde desses animais mediante o acúmulo de metais no tecido branquial, assim como as adaptações morfofisiológicas que os permitem sobreviver no ambiente impactado. |