| Resumo |
A inclusão de peixes na alimentação humana contribui para a ingestão de nutrientes fundamentais para a saúde, sendo importantes para a construção de hábitos alimentares mais saudáveis e seguros. No entanto, o aumento da produtividade da aquicultura, responsável por mais de 50% da produção de animais aquáticos consumidos no mundo, também levou a um aumento de doenças causadas por patógenos como vírus, fungos e bactérias na produção devido à necessidade de maior manipulação dos animais e armazenamento nos criadouros. Os gêneros de bactérias mais comumente encontrados nos tanques de produção são Aeromonas, Edwardsiella, Vibrio e Pseudomonas, que causam úlceras na pele, hemorragias e necrose de tecidos. Os sintomas clínicos destas doenças também incluem proptose, descoloração no tegumento e inchaço dos rins e fígado. Este trabalho teve como objetivo caracterizar e padronizar infecções em peixes causadas por Aeromonas hydrophila, bactérias gram-negativas e anaeróbias facultativas causadoras de aeromonose, bem como infecções causadas por Pseudomonas fluorescens, bactérias gram-negativas do gênero Pseudomonas causadoras de septicemia hemorrágica. Para estudar a virulência dos patógenos, seus mecanismos de infecção e desenvolver novas formas de prevenção e tratamento, o uso do animal modelo zebrafish (Danio rerio), aprovado pelo CEUA-IB protocolo 397/2022, foi fundamental por permitir redução de custos, recursos e prazos, além de ter resultados aplicáveis a outras espécies de interesse econômico. As cepas bacterianas A. hydrophila ATCC 7966 e P. fluorescens 07A foram cultivadas separadamente em meio de cultura líquido TSB, centrifugadas e diluídas conforme as unidades 2, 3 e 4 da Escala de McFarland (McF) e então administradas via injeção intraperitoneal nos peixes. Os sintomas clínicos e a mortalidade foram avaliados por 7 dias, sendo comum para as duas cepas a observação de animais com pele flácida, ventre avermelhado, intestinos estufados com sinais de perda de integridade e hemorragias internas. A sobrevivência registrada para os animais infectados com A. hydrophila nas concentrações 2 e 3 McF foi de ~53% e 4 McF de ~25%. Para P. fluorescens, a sobrevivência foi de ~53% (2 McF), ~20% (3 McF) e ~46% (4 McF). Os resultados obtidos pela quantificação em RT-PCR demonstraram que a infecção por A. hydrophila na concentração 2 McF foi a mais eficiente, dada a diferença estatística obtida pelo teste one-way ANOVA em relação ao grupo controle (peixes injetados com solução salina estéril 0,9%). Para P. fluorescens, não foi observada carga bacteriana significativa nos intestinos dos peixes, independente da concentração do patógeno administrada quando comparadas com o grupo controle. |