| Resumo |
A busca por formas mais sustentáveis de produção tem impulsionado pesquisas e inovações no setor agrícola, com o objetivo de mitigar as mudanças climáticas e reduzir a dependência de produtos sintéticos derivados de recursos não renováveis. Nesse contexto, a popularização da produção orgânica reflete uma crescente conscientização e preocupação coletiva quanto ao uso excessivo de agrotóxicos e ao potencial residual desses compostos nos alimentos, especialmente em hortaliças. O objetivo deste trabalho foi analisar diferentes concentrações de biofertilizante à base de cama de aviário fervida como fonte alternativa de nutrientes na produção de mudas de alface orgânica. O experimento foi realizado em estufa na UEPE Vale da Agronomia, na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Inicialmente, foi feita a fervura da cama de aviário em tonel de 200 L, na proporção de 15 kg de cama de aviário compostada para 100 L de água, durante quatro horas. As sementes da cultivar de alface repolhuda Hanson foram semeadas em maio de 2025, em bandejas de 200 células com substrato à base de casca de pinus bioestabilizada. O delineamento foi em blocos casualizados, com seis tratamentos, quatro repetições e 50 mudas por repetição, totalizando 1.200 mudas. Os tratamentos foram realizados com diferentes diluições do biofertilizante, com controle negativo e positivo, sendo eles: T1: água; T2: 1,5%; T3: 3,0%; T4: 4,5%; T5: 6,0%; e T6: solução arranque (10 g de KCl + 30 g de sulfato de amônio / 2 L de água). A aplicação das doses foi feita semanalmente, aplicando-se 2,0 mL do biofertilizante por célula. As variáveis analisadas foram: número de folhas, comprimento da parte aérea e radicular (cm), massa fresca da parte aérea e radicular (g) e massa seca total (g). Foi realizada análise de variância (ANOVA) e as médias foram comparadas pelo teste de Tukey (p < 0,05). O T6 apresentou massa fresca da parte aérea (g) e massa seca total (g) superiores aos demais; entretanto, a massa fresca da raiz, estatisticamente, foi semelhante entre os tratamentos T4, T5 e T6. Esse resultado não era esperado e pode ter ocorrido devido à baixa concentração de nutrientes nas diluições do biofertilizante realizadas. Além disso, a lâmina de água aplicada na irrigação dentro da estufa excedeu a necessidade da cultura, podendo ter contribuído para a lixiviação de nutrientes e prejudicado o desenvolvimento das plantas. Conclui-se que, nas doses utilizadas, o biofertilizante à base de cama de aviário fervida não influenciou o crescimento da parte aérea, mas favoreceu o desenvolvimento radicular das mudas de alface, sugerindo-se a realização de novos estudos com doses mais elevadas e maior frequência de aplicação. |