| Resumo |
Introdução: O Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde - PET/Saúde: Equidade é um programa tutorial financiado pelo Ministério da Saúde e que, na UFV, tem como um dos eixos de interesse a saúde mental e as violências relacionadas ao trabalho. Portanto, conhecer as violências experienciadas pelas(os) trabalhadoras(es) da atenção primária à saúde (APS) é imprescindível para se planejar e executar intervenções, visto que os diferentes tipos de violência trazem consigo consequências para o dia-a-dia, sobretudo no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente considerando que trata-se de um tema frequentemente negligenciado. Objetivo: Identificar quantitativamente as percepções dos tipos de violência sofridos pelos trabalhadores no contexto da APS. Metodologia: Foi preenchido um questionário autoaplicável, on-line e anônimo pelos profissionais atuantes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Viçosa, Minas Gerais. Foram analisadas situações de violência ocorridas nos últimos 12 meses, sendo: 1. Violência física; 2. Violência verbal; 3. Assédio sexual; 4. Discriminação racial; 5. Discriminação sexual; 6. Etarismo; 7. Outros. Resultados: Foram coletadas 194 respostas, em que 46,19% (n=89) se mostraram preocupados com a violência em seu local de trabalho e 74,27% (n=143) desconhecem os procedimentos para o relato da violência. Dos trabalhadores que já presenciaram a violência no trabalho, 8,19% (n=16) sofreram a tipo 1; 33,92% (n=66) e 28,07% (n=55) sofreram a tipo 2; 2,92% (n=6) sofreram a tipo 3; 1,75% (n=4) sofreram a tipo 4; 6,43% (n=13) sofreram os tipos 6 e 7. Ressalta-se que não houve relato de discriminação racial e na violência verbal foram englobados resultados de intimidação, humilhação, desqualificação ou desmoralização. Conclusão: A partir dos resultados, pode-se concluir que a violência está presente no ambiente de trabalho e é uma fonte de preocupação das(os) trabalhadoras(es). Além disso, ficou evidente o desconhecimento ou inexistência dos procedimentos de relato da violência. Percebe-se então, a necessidade da criação e validação de procedimentos claros e instituídos para o relato da violência para assegurar os direitos dos trabalhadores no contexto da APS. |