| Resumo |
Introdução: A mortalidade materna é um importante indicador da qualidade dos serviços de saúde e das condições de vida das mulheres. Nesse sentido, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) criaram a Estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia, com o objetivo de mobilizar os sistemas de saúde para o enfrentamento da hemorragia pós-parto (HPP), uma das principais causas de morte materna. A HPP é definida como a perda sanguínea superior a 500 ml após parto vaginal ou 1000 ml após cesariana, ocorrida nas primeiras 24 horas. As causas mais comuns são atonia uterina, trauma do trato genital, retenção placentária e coagulopatias. A prevenção é baseada no manejo ativo do terceiro período do parto, com uso de uterotônicos, tração controlada do cordão umbilical, contato pele a pele e amamentação precoce. Objetivo: analisar a incidência de HPP em uma maternidade pública da Zona da Mata Mineira. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa quantitativa, transversal, descritiva e analítica, realizada entre novembro de 2023 e abril de 2024. A coleta de dados ocorreu em dois momentos: entrevista e coleta de informações no prontuário durante a internação, e contato telefônico entre 10 e 15 dias após o parto. Foi utilizado como instrumento o Termômetro da Iniciativa Hospital Amigo da Mulher e da Criança (T-IHAMC). As análises estatísticas foram realizadas no SPSS 20.0, utilizando testes como Shapiro-Wilk, Qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher. Resultados: Participaram do estudo 348 puérperas, das quais 10 (2,9%) relataram HPP. A maioria das mulheres com HPP tinha entre 20 e 34 anos, possuía parceria, ensino superior, se autodeclaravam não brancas, partos vaginais, gestação única, a termo e bolsa íntegra, mas não houve associação estatisticamente significativa entre essas variáveis e a ocorrência de HPP. No pós-parto, observou-se moderada frequência de monitoramento adequado das puérperas com HPP. Apenas 10% afirmaram ter sido avaliadas quanto à tonicidade uterina e sangramento, 30% relataram monitoramento da pressão arterial e sangramento e 60% receberam as três ações preventivas (monitoramento da PA, avaliação do sangramento e tonicidade uterina), embora sem significância estatística (p = 0,15). Entre as mulheres sem HPP, 71,3% relataram que essas três ações foram realizadas pelos profissionais. Conclusão: Os dados evidenciam a importância da adoção de práticas preventivas e o manejo no pós-parto para reduzir a incidência da HPP e o diagnóstico precoce, especialmente na primeira hora. O fortalecimento das ações de vigilância clínica e da implementação das diretrizes da Estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia é essencial para a segurança das mulheres e a redução da mortalidade materna. |