| Resumo |
O crescimento das redes sociais transformou as formas de expressão, consumo e construção identitária entre os jovens. O Instagram, com ênfase na imagem e na autoexpressão, consolidou-se como espaço central de circulação de estéticas, estilos de vida e subjetividades. Atuando como “espelho simbólico” (Sodré, 2008), permite que os sujeitos moldem suas identidades em busca de validação social. Em um cenário hipersemiotizado (Chouliaraki; Fairclough, 1999), a cultura visual ocupa o centro da vida cotidiana, e o Instagram torna-se ambiente simbólico de (re)(des)construção das corporalidades, atravessadas por padrões de beleza, consumo e pertencimento. Nesse contexto, a moda deixa de ser apenas o ato de vestir e se afirma como linguagem visual, simbólica e política. Entre os diversos agentes presentes nesse ambiente, os brechós alternativos se destacam. Mais do que vender roupas usadas, atuam como curadorias visuais capazes de construir narrativas afetivas e identitárias. Esses perfis desafiam normas estéticas e de gênero, promovendo formas alternativas de expressão, alinhadas à diversidade e à autonomia estética juvenil. A pesquisa teve como objetivo investigar como brechós alternativos operam como territórios simbólicos de resistência e produção de subjetividades. O perfil @mariagastonabrecho foi selecionado como estudo de caso, com foco em sua curadoria visual, linguagem e proposta estética. A análise buscou compreender como sua atuação contribui para a (re)criação de identidades juvenis por meio de práticas que valorizam o reúso, a autenticidade e a fluidez de gênero na moda. Adotou-se uma abordagem qualitativa, baseada em análise bibliográfica e de imagem (Joly, 2012). O referencial teórico incluiu Flusser, Foucault, Hall e Murray, com foco na leitura crítica das imagens como signos culturais. Foram analisadas publicações do perfil a partir de critérios visuais (filtros, composição, poses, cores, hashtags) e discursivos (legendas, vocabulário e mensagens associadas à estética alternativa e à diversidade). Os resultados apontam que o perfil constrói uma estética própria, marcada por afetividade, autenticidade e ruptura com padrões convencionais. As imagens não apenas exibem produtos, mas articulam discursos visuais que operam como formas de resistência simbólica. A valorização do reúso criativo, da originalidade e da experimentação amplia as possibilidades de expressão e pertencimento dos jovens. Conclui-se que brechós alternativos no Instagram, como o perfil analisado, funcionam como espaços de resistência cultural e produção de subjetividades. Ao tensionar modelos hegemônicos de consumo e beleza, reafirmam a moda como ferramenta política e de autoafirmação. O Instagram revela-se, assim, um campo dinâmico onde coexistem estratégias de controle simbólico e possibilidades de criação identitária. |