| Resumo |
O Teatro do Oprimido, método sistematizado por Augusto Boal, tem se consolidado como uma poderosa ferramenta de mobilização social, permitindo que indivíduos e comunidades oprimidas investiguem suas realidades, dialoguem entre si e busquem soluções para seus desafios. O projeto ´Arte e Agroecologia: Formação e Multiplicação do Teatro do Oprimido` desenvolve oficinas deste método teatral na Comunidade Quilombola do Buieié. As oficinas tiveram início em maio de 2025 e são realizadas uma vez por semana, pela manhã, com crianças e adolescentes da faixa etária entre 7 a 14 anos. O Projeto tem por objetivo promover formação e multiplicação do Teatro do Oprimido em articulação com a Agroecologia. Realizar oficinas comunitárias de multiplicação deste método teatral é um de seus objetivos específicos. Iniciado em abri deste ano, o Projeto contemplou dois cursos de formação introdutória ao Teatro do Oprimido, e realizou a montagem e apresentação de uma peça de Teatro-Fórum. Também iniciou a realização de oficinas teatrais para estudantes em uma escola pública e no Quilombo do Buieié, no município de Viçosa. Entre os principais resultados ressalto a formação inicial, com leituras, realização de jogos, montagem de uma peça teatral e supervisão orientada que forneceram base para a realização das oficinas no Buieié. Nas oficinas os resultados alcançados são a participação e engajamento das crianças; fortalecimento da identidade e autoestima, pois muitas crianças chegaram bem tímidas nas oficinas; início de conscientização com reflexão crítica. Mesmo que de forma inicial, as crianças já conseguem identificar e encenar situações de conflito ou opressão que vivenciam no dia a dia, percebendo as dinâmicas de poder ao seu redor. Embora a profundidade dos resultados possa variar de criança para criança, esses resultados preliminares são encorajadores. É possível observar que a metodologia que usamos de Augusto Boal, adaptada à realidade e às necessidades dos alunos, age como um catalisador de empoderamento e conscientização. Foi visível o aumento da expressão e comunicação, o fortalecimento da identidade e da autoestima, reflexão crítica sobre as opressões cotidianas. As crianças, antes mais retraídas, agora demonstram maior confiança em suas vozes e em seus corpos, utilizando o teatro para narrar suas histórias, expressar suas emoções e, de forma lúdica, ensaiar soluções para os desafios que as cercam. Fortalecem, assim, a identidade e autoestima, essenciais para qualquer processo educativo, tornando a aprendizagem mais significativa e engajadora. Como futura educadora, vejo o Teatro do Oprimido como uma ferramenta metodológica de extrema relevância para a formação de sujeitos críticos, capacitando a identificar opressões, dialogar sobre elas, e buscar alternativas e soluções. |