| Resumo |
O crescimento da competitividade global tem impulsionado avanços na manufatura e na engenharia de produtos. No entanto, junto a isso há também urgência de repensar o ciclo de vida dos materiais, especialmente os polímeros, cujo descarte incorreto gera impactos socioambientais severos, que vão desde a poluição de corpos hídricos à contaminação global de microplásticos e nanoplásticos. Nesse contexto, para enfrentar essa problemática, é indispensável a adoção da economia circular, que propõe a reintrodução dos resíduos na cadeia produtiva e a redução dos impactos ambientais. Seus principais pilares, a logística reversa e a análise do ciclo de vida (ACV), são fundamentais para identificar oportunidades de reaproveitamento e para a compreensão dos efeitos ambientais ao longo de toda a cadeia produtiva. O descarte de resíduos plásticos representa um desafio crescente para os centros urbanos e para o meio ambiente, exigindo soluções sustentáveis e integradas. Diante desse cenário, este trabalho visa investigar o impacto ambiental do descarte de polímeros e analisar alternativas viáveis de reciclagem, com foco nos métodos mecânico e químico, considerando suas aplicações, vantagens e limitações. Para isso, por meio de uma revisão bibliográfica e documental, este trabalho busca compreender os efeitos da contaminação por resíduos plásticos e as técnicas atuais de reaproveitamento desses materiais. A reciclagem mecânica, embora seja a estratégia mais adotada no Brasil no modelo de economia circular, enfrenta grandes dificuldades na etapa de triagem, já que a elevada contaminação dos resíduos sólidos exige tecnologias mais avançadas, elevando significativamente os custos do processo. Isso frequentemente torna a reciclagem mecânica menos atrativa quando comparada à produção de materiais virgens. Por outro lado, a reciclagem química apresenta maior tolerância a resíduos contaminados e materiais compostos, porém requer alto consumo energético e estruturas robustas que suportem pressões, temperaturas elevadas e solventes específicos, dificultando sua aplicação em larga escala. Diante desse impasse, conclui-se que a reciclagem química é uma aliada promissora, especialmente para materiais altamente contaminados ou de difícil separação, mas ainda carece de investimento e pesquisas que viabilizem sua ampla adoção. Ao mesmo tempo, a reciclagem mecânica segue como alternativa viável e urgente, porém é necessário minimizar o gargalo da separação dos resíduos. Assim, este trabalho propõe desenvolver uma estratégia social baseada em experiências internacionais bem-sucedidas para incentivar mudanças culturais no comportamento da população, promovendo uma melhor gestão dos resíduos sólidos e reduzindo os níveis de contaminação nos descartes domésticos. Com isso, espera-se fortalecer a reciclagem mecânica como pilar essencial da economia circular no Brasil e mitigar os impactos ambientais do descarte inadequado de polímeros. |