| Resumo |
Cada ecossistema florestal é único e possui características de fenologia distintas. As espécies presentes nesse ecossistema podem apresentar diferentes deciduidades, podendo ser perenes, semidecíduas ou decíduas. Essas espécies com características diferentes podem impactar diretamente a quantidade de litter produzido e, consequentemente, influenciar a ciclagem de nutrientes e a qualidade do solo. Desta forma, objetivou-se com a pesquisa verificar a correlação entre a produção de litter e a fenologia foliar das espécies de um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual em Viçosa, MG. A pesquisa foi realizada em um fragmento de Mata Atlântica denominado Mata da Silvicultura no município de Viçosa, MG. A área possui cerca de 17 ha e foi adquirida pela Universidade Federal De Viçosa em 1963, a qual assegurou a restauração e conservação do fragmento. Os dados foram coletados em 20 parcelas permanentes de 10 x 10 m entre abril de 2022 e abril de 2024. Todas as árvores com diâmetro medido a 1,30 m do solo (dap) ≥ 5 cm foram inventariadas. As espécies foram classificadas como perene, semidecídua ou decídua. O litter foi coletado mensalmente em coletores de 1x1m a 1,30m de altura do solo. O litter foi seco em estufa a 60ºC até peso constante e classificado em função dos diâmetros. Para análise foi considerado somente a fração menor ou igual a 0,65 cm de diâmetro, o que inclui apenas folhas e galhos finos. A correlação de Pearson foi calculada para a massa de litter (g.ha-1) e o número de indivíduos por ha em cada classe fenológica. Foi observado a prevalência de indivíduos de espécies perenes (75,82%) no fragmento estudado, seguido de semidecíduas (17,90%) e decíduas (6,28%). A massa de litter entre abril de 2022 e abril de 2023 foi de 9.472,61 kg/ha, enquanto entre abril de 2023 e abril de 2024 foi de 8.848,07 kg/ha, apresentando uma correlação negativa com as três classes fenológicas. Os resultados da correlação (r; p-valor) foram: perene -0,14 (0,001), semidecídua -0,13 (0,003) e decídua -0,08 (0,064 ns). Os dados indicam que a fenologia foliar influencia diretamente a produção de serapilheira, com correlações significativas observadas para espécies perenes e semidecíduas. Apesar da correlação negativa com espécies decíduas, esta apresentou uma significância muito baixa. Tais constatações reforçam a importância da classificação fenológica das espécies para a compreensão dos processos de deposição de serapilheira e ciclagem de nutrientes em ecossistemas florestais. |