| Resumo |
O tomateiro (Solanum lycopersicum) é uma das hortaliças de maior importância econômica para o Brasil, possuindo uma vasta cadeia de produção e beneficiamento. Diante do aumento de eventos extremos e estresses abióticos relacionados às mudanças climáticas, o melhoramento genético do tomateiro torna-se fundamental para assegurar a produtividade e a qualidade dos frutos, garantindo o acesso contínuo ao consumo. Uma abordagem promissora no melhoramento vegetal envolve o estudo de espécies silvestres mais resilientes a estresses abióticos e/ou bióticos. Entre essas, S. habrochaites tem se destacado por sua elevada produção de tricomas, especialmente os do tipo VI, associados à síntese de metabólitos secundários com potencial efeito de resistência a pragas. Nesse estudo o objetivo foi avaliar o papel dos tricomas na tolerância à seca em S. habrochaites e investigar se o estresse hídrico interfere no desenvolvimento dessas estruturas. Os experimentos foram conduzidos em casa de vegetação, utilizando a cultivar M82 (S. lycopersicum) e S. habrochaites, cultivados juntos no mesmo vaso, com 10 repetições em delineamento inteiramente casualizado (DIC). Foram aplicados dois tratamentos: controle, com manutenção de 100% da capacidade de campo, e déficit hídrico progressivo, com redução para 20%, 10% e 0% da capacidade de campo nos três primeiros dias, mantendo a suspensão da irrigação até o décimo dia. A amostragem foi realizada por meio de impressões epidérmicas do caule para confecção de lâminas de microscopia. Avaliou-se o número de células epidérmicas, número de tricomas e área celular. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. S. habrochaites apresentou maior tolerância ao estresse hídrico em comparação à M82, especialmente após o 11º dia, quando foi retomada a irrigação. A densidade média de tricomas foi estatisticamente maior para M82 controle (318,0 tricomas/nm²) em relação à M82 seca (238,5 tricomas/nm²). Em S. habrochaites não houve diferença para densidade média de tricomas entre os tratamentos, com valores em torno de 183,7 tricomas/nm². Esses dados indicam que o déficit hídrico compromete o desenvolvimento de tricomas, principalmente em genótipos sensíveis como M82. Em contrapartida, S. habrochaites manteve níveis estáveis mesmo sob estresse, sugerindo um mecanismo adaptativo que preserva a formação dessas estruturas. |