| Resumo |
O pH do solo é uma das propriedades químicas mais importantes e limitantes para o desenvolvimento de culturas agrícolas no mundo. No Brasil, cerca de 75% das áreas potencialmente agricultáveis são assoladas por problemas relacionados à acidez do solo (pH < 5,5). O baixo pH implica diretamente em diversos processos do solo, como a redução da atividade microbiana, fertilidade e solubilização de metais pesados. Para corrigir a acidez do solo e aumentar a sustentabilidade da produção, é comum o uso da calagem. A soja (Glycine max (L.) Merrill) é considerada uma das leguminosas mais importantes para a segurança alimentar global, com áreas de cultivo em constante expansão no Cerrado brasileiro, que tem predomínio de áreas ácidas e com baixa fertilidade. Embora a calagem seja uma técnica de manejo bem-sucedida, ainda há lacunas na compreensão sobre a modulação de parâmetros fisiológicos das plantas, especialmente da soja, o que resulta em incrementos produtivos. Por isso, objetivou-se avaliar os parâmetros fisiológicos e metabólicos durante o crescimento vegetativo e reprodutivo de G. max, bem como os impactos sobre a produtividade. As plantas foram cultivadas em casa de vegetação em vasos com solo de Cerrado com calagem (L) e sem calagem (NL). Após, foram realizadas análises morfofisiológicas e metabólicas nos estágios V3 e R5; e de produtividade e qualidade dos grãos no estágio R8. A calagem alterou as propriedades químicas do solo, elevando o pH e a concentração de macro e micronutrientes e reduziu a concentração de Al. Plantas L obtiveram melhores parâmetros morfológicos e maiores acúmulos de nutrientes essenciais, levando ao maior crescimento. A concentração de clorofila b, carotenoides e fotossíntese líquida foi menor para plantas L, mas a transferência de energia e eficiência do PSII foram maiores no estágio reprodutivo. A concentração de carboidratos foi influenciada pela calagem, com aumento na concentração de frutose no tratamento L. Em conclusão, a calagem promoveu melhorias fenotípicas nos órgãos vegetativos e maior qualidade nutricional, desencadeando respostas metabólicas e enzimáticas mais eficientes e, por fim, levando a maior produção de grãos e proteínas. |