| Resumo |
O trabalho foi realizado com estudantes do 6° ano do ensino fundamental pelos IDs do PIBID de Geografia na Escola Municipal Ministro Edmundo Lins, com o objetivo de apresentar aos alunos a espacialidade dos riscos e violências a que as mulheres estão expostas a fim de promover uma reflexão crítica sobre a temática. A aula ocorreu na semana do Dia Internacional da Mulher, no qual a Secretaria Municipal de Educação e Esportes estabeleceu a semana de prevenção á violência contra a mulher. O plano de aula foi construído para promover a reflexão crítica dos alunos sobre os diferentes espaços das cidades e os riscos enfrentados pelas mulheres no cotidiano, destacando a importância da prevenção à violência de gênero. O desenvolvimento da aula ocorreu no período de 50 minutos divididos em 5 momentos. Iniciou-se com a exposição oral da história do Dia Internacional da Mulher, destacando três personalidades importantes para a história brasileira. Em sequência, apresentou-se os tipos de violência contra a mulher tipificados na Lei Maria da Penha, sendo violência: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. No segundo momento foi explicado o que é um croqui e que a atividade consiste em elaborar um croqui sobre uma história fictícia. O terceiro momento foi a narração da história intitulada “Um dia na vida de Clara” que apresenta os espaços e acontecimentos no dia da personagem, durante essa exposição, os estudantes responderam se os locais que ela esteve eram seguros ou inseguros e por qual motivação. Após isso, distribuímos folhas A4 para cada aluno desenhar o seu croqui. A elaboração do croqui, enquanto prática de cartografia escolar, corrobora com a noção de aluno mapeador consciente de Simielli (1999), possibilitando o desenvolvimento da percepção espacial, e do senso de escala, ao conectar experiências individuais ao contexto mais amplo das cidades. A atividade proporcionou um espaço de diálogo significativo entre os alunos sobre as desigualdades de gênero e os riscos enfrentados por mulheres em diferentes ambientes. Os estudantes demonstraram interesse e participaram ativamente, especialmente durante a narração da história e na elaboração dos croqui. Em termos pedagógicos, esta experiência demonstra que é possível abordar temas sensíveis de forma significativa, desde que se considere a realidade dos estudantes e se utilize metodologias participativas. A abordagem permitiu trabalhar a espacialidade do fenômeno, evidenciando como a violência se manifesta de maneira diferenciada nos espaços urbanos. Conceitos como espaço geográfico, lugar e território foram mobilizados ao discutir os locais vivenciados pela personagem Clara e ao incentivar os alunos a refletirem sobre suas próprias percepções de segurança nos diferentes ambientes do cotidiano. A noção de risco esteve presente na análise crítica sobre os espaços considerados seguros ou inseguros, relacionando-se à vivência urbana marcada por desigualdades. |