| Resumo |
O continente antártico é majoritariamente coberto por gelo, restando apenas cerca de 0,35% de áreas expostas, entre as quais se destaca a Ilha Seymour, localizada na Península Antártica e integrante do Arquipélago James Ross. Esta ilha se sobressai por apresentar particularidades em relação às demais, especialmente por sua geologia distinta e pela ausência de geleiras em sua superfície. Nos solos da região, observa-se a ocorrência expressiva de sais, e embora existam estudos voltados à gênese e à geomorfologia desses solos, ainda são escassas as informações sobre a redistribuição e a composição salina na ilha. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a redistribuição de sais ao longo de gradientes topográficos sobre diferentes litologias, por meio de análises químicas. Foram utilizadas 43 amostras superficiais de solo: 13 provenientes de três topossequências localizadas nas formações La Meseta, Sobral e em sua zona de transição; e 30 amostras da Formação López de Bertodano, coletadas desde o topo da paisagem, no início de um canal de drenagem, até a região litorânea, sempre que havia a confluência de um novo afluente. Foram analisadas propriedades físicas (granulometria) e químicas (P, K⁺, Na⁺, Ca²⁺ e Mg²⁺), bem como a condutividade elétrica (CE), a fim de estimar os níveis de salinidade. Adicionalmente, a análise de especiação de ânions por cromatografia de troca iônica possibilitou a identificação da presença de fluoreto, cloreto, brometo, nitrato e sulfato. Os resultados não indicaram uma tendência clara de aumento ou diminuição na concentração de sais ao longo das posições na paisagem. No entanto, observou-se uma alta variabilidade nos teores de sulfato, com valores entre 0,1 g/kg e 79,27 g/kg, o que pode estar associado à presença de rochas sedimentares ricas em sulfetos. Ademais, os teores superficiais de sódio (Na⁺) sugerem uma origem predominantemente geogênica, com baixa influência do spray marinho e sem correlação direta com o relevo local. |