| Resumo |
A valorização de resíduos agroindustriais, como a casca do coco verde (Cocos nucifera L.), é uma estratégia promissora para promover a sustentabilidade nos setores agrícola e florestal. No Brasil, especialmente no Nordeste, o processamento do coco gera grande volume de resíduos, que, quando descartados de forma inadequada, causam sérios impactos ambientais e à saúde pública. Com alta umidade (85–90%), a casca do coco representa um desafio para processos termoquímicos como a produção de biochar, devido ao alto consumo energético necessário para a evaporação da água. Assim, a etapa de secagem é essencial, sendo a natural uma opção de baixo custo, embora mais lenta e dependente de fatores climáticos. Desta forma, a pesquisa teve como objetivo a obtenção da curva de secagem ao ar livre de dos resíduos do fruto de C. nucífera L. Foram conduzidos quatro tratamentos de secagem com resíduos de coco verde, variando entre formato (inteiro ou seccionado) e empilhamento (uma ou duas camadas de 16 unidades). Adicionalmente, 10 cocos foram utilizados para estimar a umidade inicial em base seca. As amostras foram dispostas em local coberto e pesadas a cada 7 dias. Dados meteorológicos da estação da UFV foram utilizados para monitorar as condições climáticas durante o experimento, incluindo temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento durante o experimento com o objetivo de alcançar uma umidade de 40% em base seca. Os resíduos de coco verde apresentaram elevados teores médios de umidade inicial (base seca), variando conforme o tratamento: 954,59% para coco inteiro em duas camadas, 943,57% para coco seccionado em duas camadas, 721,97% para coco inteiro em uma camada e 771,54% para coco seccionado em uma camada. A taxa de secagem dos resíduos de coco verde aumentou nas semanas 3 a 5 devido a condições climáticas favoráveis, como maior temperatura e ventilação. Após esse período, houve redução na taxa, atribuída à remoção da água de adesão, que exige maior energia. O tratamento mais eficiente foi o com coco seccionado e disposto em uma camada, que atingiu 40% de umidade, base seca, em 35 dias, devido à maior área superficial exposta e à eliminação da barreira física do epicarpo. O empilhamento reduziu a eficiência da secagem ao dificultar a circulação de ar. |