| Resumo |
O controle biológico representa uma alternativa sustentável e segura na agricultura,uma vez que oferece soluções eficazes e menos nocivas ao meio ambiente e à saúde humana. Nesse sentido, a busca por soluções biológicas no controle de doenças de plantas intensifica a exploração de novas moléculas, como os lipopeptídeos (LPPs), produzidos por Bacillus spp e com comprovada atividade antifúngica. Estes compostos possuem propriedades emulsificantes e antimicrobianas, tornando-se alternativas promissoras aos fungicidas sintéticos. No entanto, a produção inconsistente de LPPs limita sua aplicação prática no controle de doenças de plantas. As bactérias produzem lipopeptídeos (LPPs) para diversas funções, como formação de biofilme, defesa antimicrobiana e adaptação ao ambiente. Embora existam bactérias naturalmente produtoras de altas concentrações de LPPs para sua adaptação e defesa, é possível otimizar essa característica em laboratório. A técnica de evolução adaptativa permite selecionar microrganismos para superexpressão desses compostos, visando aplicações industriais. Assim, este estudo objetivou utilizar a evolução adaptativa laboratorial para a obtenção de isolados de Bacillus com maior capacidade produtiva, partindo da hipótese de que a exposição contínua a fungos inativados induz ao aumento da produção de LPPs. Os fungos selecionados para indução foram o Colletotrichum truncatum, Penicillium brasilianum e Clonostachys rosea. Esses fungos foram cultivados em meio líquido BD (caldo de batata dextrose) sob agitação de 150 rpm a 25 °C por 15 dias. Ao final do cultivo, o conteúdo micelial foi triturado e congelado a -20 °C. O isolado de Bacillus velezensis B157, conhecido pela produção de LPPs, foi cultivado em meio TSB (Caldo Triptona de Soja) e inoculado no mesmo meio de cultivo acrescido de alíquotas dos indutores fúngico nas concentrações de 10%, 50% ou 90%. A cada 24 horas, 1 mL de cada cultivo foi passado para um novo frasco com indutor, nas concentrações descritas. Após cinco ciclos de cultivo sucessivos, foram obtidos 3 isolados bacterianos de cada uma das concentrações e de cada indutor fúngico. Estes foram cultivados em meio líquido TSB e submetidos à extração e concentração de LPPS. A produção de LPPs foi avaliada pelo índice de emulsificação e a atividade antifúngica dos isolados mais produtivos foi avaliada in vitro contra C. truncatum, causador da antracnose da soja, e comparada ao isolado original B157. Resultados preliminares mostraram o aumento do índice de emulsificação em dois isolados selecionados, porém, até o momento, não foram detectados isolados com maior capacidade de produção de LPPs com atividade antifúngica. Espera-se que, com o aumento do número de ciclos de seleção, as características desejáveis sejam obtidas. |