| Resumo |
O Callithrix aurita (Sagui-da-serra-escuro), é um primata nativo da Mata Atlântica, atualmente em risco de extinção. Sua conservação é dificultada pela competição e reprodução com híbridos invasores de Callithrix sp., que ameaçam a sua diversidade genética e, além disso, a saúde, uma vez que os híbridos podem atuar como reservatórios de patógenos. Tendo isso em vista, o Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra da Universidade Federal de Viçosa (CCSS-UFV) em conjunto com o Hospital Veterinário da UFV, utilizam da esterilização de híbridos invasores de Callithrix sp., como uma estratégia de manejo populacional, seguindo a recomendação do PAN - Plano de ação nacional para conservação dos Primatas da Mata Atlântica e da preguiça-de-coleira. Neste estudo avaliamos exames hematológicos e coproparasitológicos, realizados anteriormente à esterilização cirúrgica, com o objetivo de contribuir para o perfil epidemiológico desses animais, avaliar sua condição fisiológica, detectar doenças e, assim, verificar se a presença dos híbridos representa uma ameaça para a saúde e conservação do C. aurita. Os Callithrix sp. são capturados utilizando ceva com banana e armadilhas Tomahawk e mantidos em quarentena até realização da esterilização e alta cirúrgica. No período de abril a julho de 2025, realizou-se coleta de sangue de 19 animais, por meio de punção da veia femoral, com agulha 20x0,55G e seringa de 1ml. As amostras fecais foram conservadas em solução MIF (Merthiolate, iodo e formol) e analisadas utilizando a técnica Hoffman, Pons e Janer (HPJ), com leitura das lâminas em microscópio óptico na objetiva de 40x. Como resultado parcial, temos as médias e desvio-padrão(DP) encontradas: eritrócitos média de 6,74 x106/µL, (DP 0,82), hemoglobina 13,69 g/dL (DP 1,73), hematócrito 48,68% (DP 6,48), VCM 71,40 fL (DP 4,49), HCM 20,16 pg (DP 0,78), CHCM 28,25% (DP 1,15), proteína total 7,24 g/dL (DP 0,70) e plaquetas 384.526/µL (DP 137.046). Foram encontrados hemoparasitas (Babesia sp.) em dois indivíduos. Na série branca, a média de leucócitos foi de 7.298,95/µL (DP 3.458,46), com 42,32% de neutrófilos segmentados (DP 17,07), 52,05% de linfócitos (DP 16,46), 68% de monócitos (DP 2,94) e 1,42% de eosinófilos (DP 1,84). O soro sanguíneo será utilizado para exame bioquímico e sorologia para febre amarela posteriormente. No exame coproparasitológico, cinco animais (26,3%) não apresentaram ovos ou estruturas parasitárias, um (5,26%) apresentou ovos de Prosthenorchis sp., doze (63,15%) ovos de Primasubulura jacchi e um (5,26%) não teve a amostra processada. Esse estudo segue em andamento com a coleta de novas amostras e integração dos dados laboratoriais, ampliando o conhecimento sobre os riscos à saúde e à conservação do C. aurita, porém, os resultados parciais encontrados, principalmente no que tange à carga parasitária, podem sugerir que de fato, a presença dos animais híbridos de vida livre significam um risco sanitário para a reintrodução do C. aurita na natureza. |