| Resumo |
A literatura escrita por mulheres tem, cada vez mais, atraído a atenção de pesquisadores dos estudos literários, especialmente, tendo em vista o avanço da Crítica Feminista, a partir dos anos 1970. Nesse sentido, a pesquisa sobre a escrita de mulheres tem se tornado um dos assuntos centrais no campo literário, desafiando convenções e implicando em propostas de revisitação da historiografia literária. O presente projeto de pesquisa tem como finalidade investigar a vida e a obra da poeta mineira Carminha Gouthier (1903-1983), autora de poesia mística, ainda pouco estudante na academia. Maria do Carmo Sousa Coelho, conhecida como Carminha Gouthier, nasceu no ano de 1903, especificamente no dia 16 de abril, em Dores do Indaiá, cidade do centro-oeste mineiro. Por mais que quisesse ficar escondida dos holofotes da literatura e das artes, não faltou incentivo por parte dos amigos para que ela lançasse seus poemas, principalmente por amigos como Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade e Maria da Saudade Cortesão Mendes. A sua escrita mescla elementos religiosos e naturais, sobretudo, certas paisagens de terras mineiras. A escritora lançou o seu primeiro livro A Luz e o Trigo, em 1961; e o segundo, O Espantalho de Deus, em 1967. A partir dessas publicações, aos poucos, foi sendo citada em periódicos de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, onde seus poemas também foram publicados, principalmente em datas comemorativas, como Natal e Ano Novo, bem como os trabalhos de tradução que realizava. A revisão bibliográfica básica da pesquisa foi realizada por meio de levantamento e consulta a periódicos disponíveis no site da Hemeroteca Digital, de onde foram selecionadas todas as matérias em que apareceram o nome da escritora, no período de 1920 a 1990, com destaque para os jornais dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Também foi feita a leitura e pesquisa complementar nos livros: Escritoras de ontem e de hoje: antologia (2012), especificamente, o capítulo “Lívidos caminhos da vida e obra de Carminha Gouthier”, de Maria do Socorro Vieira Coelho; Presença (1982), de Hugo Gouthier; e Mystica poesia: poemas reunidos: Carminha Gouthier (2003), contendo informações inéditas a respeito da vida da escritora. Por fim, torna-se necessário conhecer e divulgar a obra da escritora não tão lembrada e estudada atualmente, pois seu legado, como o de outras escritoras, é importante para a elaboração de uma história da poesia brasileira moderna mais diversa e abrangente. |