| Resumo |
A banda de rock nacional Ultraje a Rigor foi fundada no início da década de 1980 e com um estilo de música sarcástico e crítico ao governo daquele momento, a saber, a Ditadura Militar que ocorreu no Brasil entre 1964 e 1985. O objetivo deste trabalho é usar a letra da música “Inútil” da banda Ultraje a Rigor, lançada em 1983, como recurso didático para a produção de uma Sequência Didática sobre a produção social do espaço no período da Ditadura Militar. Com o intuito de desmembrar cada estrofe e relacioná-la com o contexto histórico da época, é possível contribuir para uma visão crítica sobre a temática do ponto de vista desta música enquanto forma de protesto e resistência ao governo militar. A metodologia consiste em três momentos. Primeiro, na leitura crítica da canção indicada e dos Pareceres da Censura emitidos pela Divisão de Censura do Ministério da Justiça, tomando como referência as perspectivas da Geografia Universitária e Escolar em sua diversidade; com destaque para elementos da Geografia Econômica e Política. Segundo, na análise de documentos e orientações curriculares atuais para identificação e problematização de conceitos e temas da Geografia Escolar que permitem refletir criticamente sobre o ponto de vista da canção indicada. Terceiro, em um sentido mais prático e dialogando com a realidade da formação docente, elaborar uma Sequência Didática, entre outros instrumentos didáticos possíveis, para o tratamento da temática no Estágio do Ensino Fundamental em uma escola pública que componha o Campo de Estágio da Geografia da UFV. A análise preliminar indica Habilidades pertinentes ao Ensino Fundamental de acordo com o Organizador da BNCC: a EF07GE02 sobre a formação socioeconômica e territorial do Brasil, e, a EF07GE08 sobre os processos de industrialização e inovação tecnológica. Tais termos da BNCC podem ser rebatidos enquanto problematizações em blocos de conteúdo: primeiro, o sistema de ensino, desenvolvimento industrial e democracia/ditadura; segundo, o investimento público e saneamento básico como direitos sociais versus políticas de privatização (e atual neoliberalismo); terceiro, o conceito de Capital Humano e a formação de mão de obra; quarto, a ausência de senso crítico, a censura às críticas ao governo e as liberdades (eleição indireta); quinto, o orçamento público e o endividamento externo combinado com a falta de infraestruturas no desenvolvimento dependente. Assim, temos um pano de fundo da Economia Política do Brasil na Ditadura, articulando temas da Geografia Econômica e da Geografia Política na produção social do espaço brasileiro na segunda metade do século 20. Conclui-se que a canção indicada pode apresentar conceitos e temas do cotidiano daquele momento para serem traduzidos (ou transpostos didaticamente) em elementos do planejamento pedagógico das práticas de ensino na escola básica, sobretudo, por meio da articulação entre as disciplinas do Estágio Supervisionado. |