| Resumo |
A pedagogia amorosa propõe uma educação pautada no diálogo, no respeito mútuo e na construção crítica do conhecimento, buscando transformar a sala de aula em um espaço mais humano, significativo e libertador. Fundamentada em autores como Paulo Freire (1996) e bell hooks (2000), essa abordagem reconhece o papel essencial das emoções e das relações afetivas no processo educativo. Apesar de seu potencial emancipatório, a pedagogia amorosa ainda enfrenta interpretações reducionistas que a associam a gestos superficiais de carinho, desconsiderando suas implicações éticas, políticas e pedagógicas mais profundas. Na Linguística Aplicada (LA), estudos recentes vêm discutindo criticamente o tema sob diferentes perspectivas (Barcelos, 2023), mas ainda são raras as pesquisas que examinam como os próprios estudantes compreendem e experienciam essa abordagem em seu cotidiano escolar. Diante disso, este estudo, ainda em desenvolvimento, tem como objetivo investigar as crenças e emoções de alunos da rede pública de ensino em relação a práticas pedagógicas fundamentadas na amorosidade e no cuidado. Inspirada nos princípios freireanos e nas discussões contemporâneas sobre afetividade na educação, a pesquisa busca compreender que tipo de emoções emergem em contextos marcados por relações pedagógicas dialógicas, assim como os sentidos que os estudantes atribuem a uma educação comprometida com o acolhimento, o respeito e a transformação social. Partindo do pressuposto de que as emoções (Dewaele, 2018; Swain, 2013) e as crenças (Barcelos, 2001, 2004) exercem papel central nos processos de aprendizagem, pretende-se analisar como essas crenças podem impactar o engajamento dos alunos, suas relações com o conhecimento e suas trajetórias escolares. Ao valorizar as vozes dos estudantes, esta investigação contribui para ampliar a compreensão sobre o alcance e os desafios da pedagogia amorosa na educação pública, propondo caminhos possíveis para práticas mais humanizadas, críticas e inclusivas. |