| Resumo |
A corymbia é uma espécie florestal de rápido crescimento e alta adaptabilidade, sendo amplamente utilizada em projetos de revegetação e recuperação ambiental. Entretanto, seu desenvolvimento inicial pode ser limitado em ambientes com baixa disponibilidade de água, principalmente quando o substrato apresenta reduzida capacidade de retenção hídrica. Diante disso, o uso de polímeros hidroretentores surge como alternativa para aumentar a disponibilidade de água no solo e otimizar o consumo hídrico pelas plantas, especialmente em condições adversas. O experimento foi conduzido na estação lisimétrica da área experimental de Irrigação e Drenagem, pertencente a Universidade Federal de Viçosa. O experimento foi iniciado em 26 de abril de 2024, quando foi realizado o transplantio com mudas de corymbia (híbrido Corymbia citriodora x Corymbia torelliana). O polímero hidroretentor utilizado foi o UPDT®, aplicado nas doses de 0,0; 0,5; 1,0; 2,0; 3,0 e 4,0 g por cova. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três repetições. O substrato utilizado apresentava baixa capacidade de retenção de água, o que favoreceu a avaliação da eficiência do polímero. O consumo hídrico foi determinado com base no balanço hídrico de cada lisímetro, considerando a reposição de água efetuada por irrigação controlada. A evapotranspiração de referência (ETo) foi estimada diariamente pelo método de Penman-Monteith e acumulada ao longo do período experimental, que durou 275 dias. Os dados foram submetidos à análise estatística com uso de Análise de Variância (ANOVA) e, posteriormente, ajustou-se modelos de regressão polinomial. Durante o período experimental, a ETo acumulada foi de 726,5 mm. O consumo hídrico das plantas acompanhou a tendência da ETo ao longo do tempo, com variações claras entre os tratamentos. Os menores consumos foram observados nas doses mais baixas de polímero, especialmente com 0,5 g por cova (291,3 mm), enquanto os maiores consumos ocorreram com as doses intermediárias, destacando-se a de 2,0 g por cova, que apresentou o maior valor observado (326,8 mm). A análise de regressão indicou que o consumo hídrico máximo estimado foi de 319,0 mm, obtido com a dose de 2,08 g de polímero por cova, evidenciando um ponto de equilíbrio entre retenção e disponibilidade hídrica no substrato. Portanto, conclui-se que a dose de 2,0 g por cova pode ser recomendada para o estabelecimento de corymbia. Esses resultados indicam que o uso do polímero hidroretentor contribuiu de forma efetiva para elevar o consumo hídrico das mudas de corymbia, favorecendo maior absorção de água mesmo em um substrato com limitações físicas. A maior disponibilidade hídrica proporcionada pelo polímero permitiu maior permanência de água na zona radicular, o que é crucial para o sucesso da implantação de espécies florestais em ambientes com baixa umidade ou alta variabilidade de chuvas. |