| Resumo |
O farelo de soja é a principal fonte de proteína utilizada na formulação de dietas para aves, devido ao seu elevado teor proteico, bom perfil de aminoácidos e alta digestibilidade. No entanto, sua composição inclui fatores antinutricionais, como os galactooligossacarídeos solúveis (ex.: rafinose e estaquiose), que não são digeridos pelas enzimas endógenas das aves. Ao atingirem o intestino grosso, esses compostos são fermentados pela microbiota, o que pode provocar distúrbios digestivos e comprometer a absorção de nutrientes . Assim, o presente estudo teve como objetivo determinar os valores de energia metabolizável aparente (EMA) e energia metabolizável aparente corrigida pelo balanço de nitrogênio (EMAn), além dos coeficientes de digestibilidade ileal aparente e estandardizados dos aminoácidos de dois tipos de farelo de soja. Dois experimentos foram conduzidos na Universidade Federal de Viçosa e todos os procedimentos adotados neste estudo foram previamente aprovados pelo comitê de ética (protocolo CEUAP-UFV 117/2022). No experimento 1, 120 frangos de corte machos Cobb500™ foram distribuídos em delineamento inteiramente casualizado com três tratamentos, oito repetições e cinco aves por unidade experimental. Avaliou-se o desempenho zootécnico com os tratamentos: T1 – ração referência (RR); T2 – RR + 30% de farelo de soja com redução de rafinose e estaquiose; e T3 – RR + 30% de farelo de soja convencional. No experimento 2, 144 frangos de corte machos Cobb500™ foram distribuídos em delineamento inteiramente casualizado com três tratamentos, oito repetições e seis aves por unidade experimental , e avaliou-se a digestibilidade ileal dos aminoácidos e a energia metabolizável das dietas. Os tratamentos foram: T1 – dieta isenta de proteína (DIP); T2 – DIP + 40% de farelo Low Raf; e T3 – DIP + 40% de farelo convencional. As dietas continham 0,5% de dióxido de titânio. As aves receberam água e ração à vontade durante os períodos de 18 a 28 dias (experimento 1) e de 18 a 22 dias (experimento 2). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de significância. O farelo Low Raf proporcionou menor consumo de matéria seca, mas maior ingestão e balanço de nitrogênio, indicando melhor aproveitamento proteico. Apesar do potencial energético semelhante, apresentou leve vantagem na EMA, sem diferença estatística. Já o farelo padrão teve coeficientes de digestibilidade ileal estandardizada superiores, sugerindo maior eficiência na utilização dos aminoácidos. Quanto ao desempenho zootécnico, o farelo Low Raf apresentou maiores teores de aminoácidos, enquanto o farelo padrão teve melhor digestibilidade, indicando maior eficiência no aproveitamento proteico. Assim, a escolha entre os farelos deve considerar o objetivo nutricional da dieta, equilibrando a disponibilidade e a digestibilidade dos nutrientes para otimizar o desempenho das aves. |