| Resumo |
Já é sabido os problemas causados pela intensificação do efeito estufa para o nosso planeta. Dessa forma, é de extrema importância a busca por mecanismos que reduzem o aumento do efeito estufa, e dentre as alternativas, destaca-se a retirada de carbono atmosférico. Este processo pode ser alcançado por diferentes rotas, sendo a restauração florestal e a conversão de biomassa em biocarvão uma das técnicas mais utilizadas no setor florestal. Neste contexto, a Cordia trichotoma, conhecida popularmente como Louro-pardo, é um exemplo de espécie que amplamente utilizada na restauração florestal e destaca-se pelo seu potencial ecológico e econômico. Já na produção de biochar, o uso de resíduos agroindustriais, como a palha de café, passa ser atrativo pois favorece a fixação de carbono, e agrega valor econômico ao resíduo. Ainda existe poucos estudos para validação técnica do uso deste biocarvão na produção de mudas florestais, especialmente das espécies nativas. Portanto, o objetivo deste trabalho foi analisar o efeito da adição de biochar no substrato de mudas de C. trichotoma sobre as variáveis de crescimento. O biochar utilizado é proveniente de palha de café e foi incorporado em diferentes proporções ao substrato comercial Carolina Soil®, sendo elas: 0%, 10%, 20%, 40% e 80%. A plântulas de C. trichotoma foram transplantadas para tubetes plásticos de 55 cm³ contendo os diferentes substratos. O experimento foi disposto em delineamento inteiramente casualizado, com cinco tratamento e cinco repetições com parcelas de 10 mudas. A avaliação do crescimento foi realizada aos 210 dias após o transplantio pela aferição de altura e diâmetro de coleto, utilizando a régua graduada e paquímetro digital, respectivamente. Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância (ANOVA) e teste Tukey (p ≤ 0,05). Os resultados encontrados foram significativos. A adição de 10% de biochar ao substrato proporcionou um melhor desempenho no crescimento em altura (12,85 cm) e diâmetro do coleto (2,76 mm) de mudas de C. trichotoma, superando o controle (0%) tanto em altura (12,32 cm) quanto em diâmetro de coleto (2,59 mm). O uso de 10% de biochar proporcionou um aumento de 4,3% na altura e de 6,7% no diâmetro, favorecendo o desenvolvimento das mudas sem os efeitos negativos observados em concentrações mais elevadas. Logo, o uso moderado de biochar, até 10%, mostra-se promissor como alternativa para melhorar a qualidade das mudas nativas em viveiro. |