| Resumo |
Detecção precoce da murcha-de-ceratocystys em eucalipto por meio da espectroscopia foliar A murcha-de-Ceratocystis em eucalipto, causada pelo fungo Ceratocystis fimbriata, é uma doença letal que pode gerar grandes prejuízos econômicos, especialmente quando sua disseminação ocorre por meio do plantio de mudas infectadas, porém assintomáticas. Portanto, a detecção precoce da doença é fundamental para minimizar o risco de sua introdução no campo e a dispersão do patógeno para áreas onde ainda não está presente. Embora métodos moleculares possam ser utilizados para detectar a doença em plantas assintomáticas, tratam-se de técnicas destrutivas, dependentes de amostragem e de alto custo. A detecção de doenças em períodos assintomáticos por meio de reflectância hiperespectral tem sido uma abordagem amplamente estudada na agricultura com grande potencial de aplicação prática. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo diferenciar plantas inoculadas e não inoculadas com o fungo C. fimbriata com base nos espectros de refletância foliar, associados a índices de vegetação relacionados ao conteúdo de pigmentos fotossintéticos, nitrogênio, celulose, lignina, água e estresse da vegetação. Amostras foliares foram coletadas dos terços apical, médio e basal da copa da planta para medição dos espectros com o espectrorradiômetro ASD FieldSpec4®. As avaliações foram realizadas aos 0, 12, 24, 48 e 72 horas após a inoculação (hai), bem como aos 30 e 40 dias após a inoculação (dai). Já às 12 hai foi possível observar diferenças no comportamento espectral entre plantas não inoculadas (NI) e inoculadas (I). Nas primeiras horas de avaliação, as folhas dos terços médio e apical apresentaram maior representatividade na discriminação entre plantas inoculadas e não inoculadas, e foram mais relevantes na diferenciação entre plantas com e sem sintomas visuais. Os dados espectrais do visível (VIS; 400–700 nm) e do infravermelho próximo (NIR; 700–1300 nm) foram mais sensíveis às alterações fisiológicas no início da infecção pelo patógeno, enquanto o infravermelho de ondas curtas (SWIR; 1300–2500 nm) se mostrou representativo na diferenciação de plantas em todos os tempos avaliados, especialmente nas regiões espectrais associadas à absorção de energia por proteínas. Os índices relacionados aos teores de nitrogênio, clorofilas, carotenóides, biomassa e água apresentaram valores significativos na distinção entre os tratamentos nos diferentes períodos de avaliação. Os resultados obtidos neste estudo indicam que é possível discriminar plantas inoculadas e não inoculadas com base na reflectância foliar, demonstrando o potencial dessa metodologia para o monitoramento de doenças em plantas durante o período assintomático. |