| Resumo |
A crescente demanda por tecnologias inteligentes na infraestrutura tem impulsionado o uso de materiais cimentícios auto-sensores para o monitoramento de tensões e falhas em estruturas. Para isso, incorporam-se materiais condutivos à matriz cimentícia, como o nano Carbon Black (CBN), conhecido por sua elevada condutividade elétrica. Nesse contexto, o biochar — um material carbonáceo obtido por pirólise de biomassa — surge como uma alternativa sustentável, por apresentar boa condutividade elétrica e contribuir para o sequestro de carbono. O objetivo desta pesquisa é comparar a resistividade elétrica do biochar com a do CBN, visando investigar o potencial do biochar como material condutivo alternativo para aplicações em compósitos cimentícios auto-sensores. O biochar foi produzido a partir de biomassa de eucalipto nas temperaturas de 450 °C, 650 °C e 750 °C, com tempo de permanência de uma hora em mufla. Após o resfriamento à temperatura ambiente, o material foi moído em moinho de bolas de alta eficiência em três ciclos de 7 minutos a 350 rpm, com intervalos de 12 minutos entre os ciclos. Em seguida, foi peneirado nas malhas 100 e 200. O Carbon Black utilizado foi o CBN 234 (Birla Carbon), com tamanho médio de partícula de 20 nm e área de superfície específica de 120 m²/g. Para o teste de condutividade, utilizou-se um multímetro digital Minipa modelo RT-1100B para leitura em lâminas de biochar, formadas em placas de Petri com uma pequena quantidade do pó. Com o auxílio de uma pipeta conta-gotas, adicionou-se álcool 92º INPM para formar uma pasta fluida. A partir da vibração da placa — realizada com leves batidas na borda com uma colher metálica — foi obtida uma lâmina fina de biochar ou CBN. Após a secagem, o multímetro foi ajustado para medição da resistência elétrica, e as pontas de prova foram posicionadas sobre a lâmina. As leituras foram registradas nos pontos onde houve estabilização dos valores, e a média foi calculada para cada amostra. O CBN 234 apresentou resistência elétrica média de 0,027 kΩ. Para o biochar de eucalipto, os resultados indicaram que maiores temperaturas de queima proporcionam menores valores de resistência elétrica. Nas temperaturas de 650 °C e 750 °C, a fração passante na peneira 200 apresentou menor resistência em comparação à fração passante na peneira 100. Já o biochar produzido a 450 °C gerou lâminas muito quebradiças, dificultando a estabilização das leituras. A amostra da fração 200 do biochar queimado a 750 °C apresentou resistência média de 1,152 kΩ — valor 43,22 vezes superior ao do CBN 234. Conclui-se que a produção de biochar em temperaturas mais elevadas e com partículas mais finas resulta em um material com menor resistência elétrica. No entanto, os valores de resistência do biochar ainda permanecem significativamente superiores aos observados para o CBN. Assim, o biochar tem potencial para substituto do CBN na produção de compósitos cimentícios auto-sensores, sendo necessário mais estudos nesta área. |