| Resumo |
A análise estrutural em fragmentos florestais é fundamental para compreender os processos ecológicos presentes, permitindo a conservação e recuperação desses remanescentes. Em florestas tropicais, as comunidades arbóreas apresentam distribuição diamétrica típica, com padrão exponencial negativo, também conhecido como “J invertido”, em que a densidade dos indivíduos decresce à medida que o diâmetro dessas árvores aumenta. Assim, o estudo da distribuição diamétrica permite a avaliação da regeneração natural e identificação de padrões de crescimento, auxiliando no manejo florestal e na tomada de decisões assertivas para o uso e conservação das florestas. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar a estrutura diamétrica em um fragmento de Floresta Atlântica Estacional Semidecidual no município de Viçosa, Minas Gerais. O levantamento de dados foi realizado em dez parcelas permanentes de 1000 m2 (20 m x 50 m) em um fragmento florestal, com área de 17 hectares, localizada em Viçosa, Minas Gerais. Todas as árvores com diâmetro medido a 1,30 m do solo igual ou superior a 5 cm foram mensuradas e identificadas botanicamente. Posteriormente os indivíduos foram divididos em classes de diâmetro com amplitude de 5 cm. Em seguida, o quociente “q” de De Liocourt foi avaliado, sendo esse a razão entre a densidade de uma classe de diâmetro qualquer (Xi) pela densidade da classe seguinte (Xi+1). O número de indivíduos mensurados na área foi de 1443. Os centros de classes variaram de 7,5 cm até 102,5 cm, indicando presença de indivíduos em diferentes estágios de desenvolvimento. A distribuição diamétrica dos indivíduos seguiu o padrão típico esperado para florestas tropicais inequiâneas, ou seja, apresentou distribuição exponencial negativa (J-invertido), sendo a maior frequência de indivíduos encontrada na menor classe de diâmetro (56,69%). Os valores do quociente “q” apresentaram variações entre as diferentes classes diamétricas da comunidade, revelando possíveis distúrbios. O valor de “q1” (3,0) esteve acima do valor médio de “q” calculado (1,45), sugerindo alteração nos processos sucessionais internos. A mesma situação é observada em q2 a q8, os valores encontrados superam o valor médio calculado, normalizando-se a partir de q9, apenas nas classes de maior diâmetro. Apesar de apresentar distribuição típica para florestas inequiâneas, a comunidade do fragmento em questão não se encontra balanceada, tendo em vista os diferentes valores observados de “q”. Dessa forma, o aumento no número de indivíduos nas menores classes de diâmetro pode estar relacionado à remoção dos indivíduos do dossel, fato relacionado à uma mortalidade de árvores com diâmetros maiores, o que possibilita melhores condições de luz e favorece o desenvolvimento de juvenis. |