| Resumo |
As mudanças no uso da terra influenciam diretamente a qualidade do solo, afetando sua estrutura, composição e capacidade de sustentação da vegetação. Dentre os atributos físicos, a porosidade do solo é um indicador essencial para avaliar a saúde do solo, influenciando a infiltração de água, aeração e crescimento radicular. Nesse contexto, o estudo teve como objetivo analisar a influência de diferentes usos da terra na porosidade do solo. Foram avaliadas a macroporosidade, microporosidade e porosidade total em áreas de sucessão natural (SN), pastagem abandonada (PA) e cultivo de eucalipto (EU), considerando dois períodos de conversão (9 e 22 anos). A pesquisa foi realizada em Latossolo Vermelho-Amarelo nos municípios de Bugre e Periquito (MG), na bacia do Rio Doce (MG), em áreas com histórico de conversão de pastagem para eucalipto ou sucessão natural. As amostras de solo foram coletadas em quatro profundidades (0-10, 10-30, 30-60 e 60-100 cm). A porosidade total (PT) foi calculada com base na densidade do solo e densidade de partículas, a microporosidade (MI) foi determinada após equilíbrio em mesa de tensão (-6 kPa), e a macroporosidade (MA) pela diferença entre os dois valores. Utilizou-se um delineamento sistemático em fatorial 3 × 2 × 4 (3 usos da terra, 2 tempos de conversão e 4 profundidades), com cinco repetições. Os dados foram analisados por ANOVA e teste de Scott-Knott (p ≤ 0,10). No período de 9 anos, não houve diferenças significativas na porosidade entre os sistemas (p > 0,10). No entanto, após 22 anos, o EU apresentou a menor porosidade total (x̄ = 0,47 ± 0,04 m³/m³) e macroporosidade (x̄ = 0,10 ± 0,05 m³/m³), e a maior microporosidade (x̄ = 0,38 ± 0,03 m³/m³) em todas as profundidades, em comparação com a SN (PT = x̄ 0,57 ± 0,04 m³/m³; MA = x̄ 0,25 ± 0,05 m³/m³; MI = x̄ 0,32 ± 0,01 m³/m³) e a PA (PT = x̄ 0,57 ± 0,03 m³/m³; MA = x̄ 0,24 ± 0,05 m³/m³; MI = x̄ 0,34 ± 0,02 m³/m³), que foram semelhantes entre si. Nos sistemas SN e PA, a porosidade total e a macroporosidade aumentaram do período de 9 anos (SN_PT = x̄ 0,47 ± 0,04 m³/m³; SN_MA = x̄ 0,09 ± 0,05 m³/m³; PA_PT = x̄ 0,47 ± 0,04 m³/m³; PA_MA = x̄ 0,10 ± 0,04 m³/m³) para 22 anos de conversão, indicando uma recuperação da estrutura do solo. Os resultados sugerem que o cultivo de eucalipto a longo prazo (22 anos) impacta negativamente a estrutura física do solo, provavelmente devido à compactação causada pelo preparo do solo e tráfego de máquinas. Em contrapartida, a ausência de manejo intensivo na sucessão natural e na pastagem abandonada permitiu uma melhoria na porosidade ao longo do tempo, associada ao desenvolvimento da vegetação e da biomassa de raízes. Conclui-se que o cultivo de eucalipto tende a compactar o solo, reduzindo sua porosidade, enquanto a sucessão natural e a pastagem abandonada mostraram capacidade de recuperação da porosidade do solo ao longo do tempo, favorecendo melhorias nas propriedades físicas do solo. |