| Resumo |
As formas de comunicação e as estratégias de ensino têm sido identificadas como o maior desafio das escolas públicas brasileiras que atendem, simultaneamente, estudantes surdos e ouvintes em uma mesma sala de aula. No contexto do ensino público brasileiro, a presença do bilinguismo (Libras e Língua Portuguesa) e a prática bicultural é escassa. Desse modo, o presente estudo buscou catalogar ferramentas, práticas e abordagens pedagógicas utilizadas em salas de aula da Educação Básica para a inclusão de Surdos, sob uma perspectiva bilíngue/bicultural. Para isso, a partir de uma abordagem qualitativa, de cunho documental, foi realizado um mapeamento de trabalhos vinculados à pesquisa intitulada “Inclusão de Surdos na Zona da Mata Mineira, no Noroeste Fluminense e no Recôncavo da Bahia: um estudo de multicasos acerca das práticas e abordagens inclusivas em diferentes contextos”, financiada pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT Nº 18/2021 - Faixa A - Grupos Emergentes. Nesse sentido, foram catalogados trabalhos de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso e dissertações de mestrado, realizados entre 2022 e 2024. Ademais, realizou-se a descrição das práticas inclusivas desenvolvidas no ensino público de diferentes estados brasileiros com estudantes surdos matriculados e os agentes envolvidos no processo. A análise dessas experiências fundamentou-se na utilização de práticas multimodais e interações bilíngues/biculturais identificadas em determinados contextos. Essas atividades e ferramentas incluíram recursos pedagógicos como planos de aula, materiais didáticos, materiais de apoio, atividades adaptadas, comportamentos de educadores e concepções socioculturais que permeiam o ambiente escolar. Assim, embora um conjunto de desafios tenham sido enfatizados pelos agentes envolvidos no processo — tais como necessidade de formação, aproximação das políticas linguísticas com a realidade escolar — houve reflexões acerca do papel da educação pública e do processo de ensino e aprendizagem de línguas, sob uma perspectiva bilíngue e bicultural da comunidade Surda. Logo, estima-se que, no decorrer das análises e considerações apresentadas no estudo, seja possível reconhecer avanços e conquistas legais que ampliaram o acesso e as perspectivas educacionais de diferentes minorias sociolinguísticas, bem como valorizar as práticas inclusivas já existentes nas escolas. Foi possível observar que os agentes envolvidos tiveram a oportunidade de refletir acerca de suas próprias práticas e acerca da presença de alunos Surdos em sala de aula, no que diz respeito aos direitos culturais, linguísticos e educacionais dessa comunidade, assim como puderam perceber a importância de sua cooperação para ações inclusivas no processo educacional. |